EXISTEM OS SAFADOS, MAS NÃO SÃO TODOS. NEM SEMPRE

por: José Maria de Aquino

  Nos tempos da antiga Tv.Tupi, hoje SBT, bem lá atrás, meu irmão Paulo, jornalista como eu, e muito melhor, bolou, dirigiu e apresentou um programa entitulado “Na bola ou na bala”. Era uma entrevista cara a cara, frente a frente. O entrevistado de um lado da pequena mesa e ele do outro. Nada mais que 40 centímetros de distância. As perguntas eram duras e diretas. Sem rodeios. O primeiro entrevistado foi João Etzel Filho, famoso árbitro, centro de muitas polêmicas e missões – entre elas,a de conversar com o árbitro russo…da final da Copa de 1962, e com o uruguaio Estaban Marino, bandeirinha da partida semifinal, em que Garrincha foi expulso e não teria como disputar o título, se Marino depusesse.Todos sabem que ele viajou às pressas, “por problemas particulares”, para Montevidéu.
A primeira pergunta foi “você é um árbitro ladrão? Arruma resultados?”. A resposta foi -“não sou ladrão e arrumo resultados”. João Etzel, hungaro naturalizado brasileiro, morador do Ipiranga, corretor de imóveis no Guarujá, explicou que arrumava resultados para atender cartolas amigos, sem nada receber. Talvez uma gravata de presente… Diziam que quando dois cartolas amigos faziam o mesmo pedido, ele solicitava tempo param decidir e informava a qual amigo iria atender, tirando do bolso, no momento do “toss”, um lenço. A cor do lenço indicava o provável vencedor.
Quem nunca ouviu falar da “melancia recheada”, recebida de presente por um competente árbitro, morador fora da Capital, que o auxiliar, botado para trás, fingiu não saber da trama e jogou o fruto pela janela do trem?” E da caixa de sapatos, também recheada, entregue em um apartamento do Itaim? E do telefonema gravado, em que o presidente de um grande time terminava dizendo “um, zero, zero”? E do processo batizado de máfia do apito, que acabou anulando um monte de jogos, dando chance ao Corinthians, que estava fora do pareo, terminar campeão brasileiro?
São muitas as histórias sobre arbitragens mandrakes que tenho ouvido diretamente ou por terceiros, nessa estrada da vida…São muitas, mas não acredito – tenho um coração desse tamanho – que somem, digamos, 10% dos jogos…
E  não foi por isso que, quando no comando do esporte da Poderosa, em São Paulo, pedi aos editores – de imagem e de texto – que selecionassem todos os lances com mancadas dos árbitros na rodada e montassem um vt que batizei de “Pisando na bola”. A ilustração, feita às pressas pelo Maurinho, editor de arte, era mesmo um pé pisando uma bola, que furava e ficava murcha.
A idéia surgiu porque, nas terças-feiras o material para um Globo Esportes (cerca de 16 minutos)era escasso. Um quebra-galho que agradou e foi efetivado. A orientação, era para que só escolhessem lances realmente importantes para o resultado da partida – impedimento claro que resultou em gol, e não de um pezinho na frente, pênalti sem dúvida…- e mesmo assim, muitas vezes, na ilha de edição, editores quebravam o maior pau…
Os vts, montados às terças e quintas, quando havia rodada na quarta, deixavam os árbitros tão apavorados, que alguns, antigos e famosos, amigos da direção, pediam para que acabassem. Nada feito.
Hoje sinto um certo remorso. Sei, porque ouvido de quem esteve lá, que existem maracutaias, mas não numa proporção tão grande quanto falam. É menos, muito menos. Coloque-se no lugar deles e, com cuidado quando há, quando não e quando é mesmo só ruindado, agravada pelas pressões…

 

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