PORQUE GOSTEI DO JOGO PALMEIRAS-CORINTHIANS

por: José Maria de Aquino

 Você na certa não era nascido no dia 27 de junho de 1954,  quando a Seleção Brasileira deu um vexame só superado pela derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã, e pelos 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão, no Mundial do ano passado.    Foi na derrota para a Hungria, por 4 a 2, com direito a baile pelos húngaros e baixarias pelos brasileiros. Mas isso só ficamos sabendo  bem depois, quando chegaram por aqui as imagens mostrando a superioridade dos magiares e a chuteirada dada pelo técnico Zezé Moreira em adversário.
Até então, o que os torcedores brasileiros sabiam, era que o árbitro inglês, Arthur Ellis, chamado por Mister Ellis, tinha roubado de forma escandalosa nosso time – que ainda não era chamado de canarinho. Um ladrão de marca maior, assim apresentado pelos locutores brasileiros presentes ao Wankdorf Stadium, em Berna, Suiça.
Bons tempos aqueles em que os locutores e comentaristas – repórter de campo veio depois, e limitava-se à sua função de informar, sem comentar, sem dar palpites – eram os olhos dos ouvintes, que colavam as orelhas nos rádios a válvulas, chamados de rabo quente.  Assim foi por bom tempo….
Até que, no início da década de 50, chegou por aqui a televisão. A imagem trazida de longe, cada vez mais longe. Como podia? Algo tão fantástico, que levava a gente a “olhar atrás do aparelho para ver o hominho escondido”. Os jogos eram narrados ao vivo ou em teipe, quando os mais apaixonados evitavam saber antes o resultado, para curtir a emoção (quase) por completo. Raul Tabajara, Geraldo José de Almeida, Aurélio Campos, os bambas da época, se limitavam a contar o que o espectador estava vendo. Os comentaristas se limitavam ao jogo, à bola rolando.  Flávio Iazetti, primeiro comentarista de arbitragem – era professor na escola para árbitros – não brigava com a imagem. Também ainda não existia o replay – que hoje o Arnaldo e outros precisam ver dez vezes antes de dar seu palpite. Às vezes errado.
Hoje o jogo é mero pretesto para que todos derrubem suas catilinárias, falem do jogo que está rolando e de outros que já se foram – sem terem imagem do que falam, para não endoidecer o espectador. Mudam facilmente a forma dos times jogar, “viram resultados num estalar de dedos”, trocam jogadores, às vezes por algum que nem está no banco. São críticos de moda, de costumes, analístas políticos. “Sabem” e falam de tudo.  E (não) escutam (nem) o que os espectadores (e aí também os que ouvem pelo rádio), falam e escrevem sobre eles. Ainda bem…Liberdade, liberdade…
Boa parte da culpa pelo amontoado, é verdade, cabe à má qualidade dos jogos. Explica mas não justifica. Por isso, é bom quando,  -aleluia, aleluia -, acontece um belo jogo como foi Palmeiras 3 x 3 Corinthians, para que, pelo menos a maior parte do tempo seja gasta em (merecidos) elogios e não em críticas exageras e fora do contexto,

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