CATANDO MOEDINHAS E QUEBRANDO COFRINHOS

por: José Maria de Aquino

​Sabe quando a situação aperta e você cata moedinhas nos bolsos, no fundo da gaveta e, no desespero, até quebra o cofrinho do filho, prometendo devolver a ele a pequena poupança que faz pensando naquele autorama? Pois é assim que alguns clubes brasileiros vivem no momento – o que, diga-se logo, nada tem a ver com as burradas – para não escrever palavrão – feitas pelo governo com suas pedaladas, com um amontoado de ministérios, com cartões que usam sem necessidade de comprovação etc
A crise financeira que atola os clubes brasileiros não são de agora, são de muito tempo, e só crescem mais do que bolo bem batido, porque os cartolas não são vigiados pelos conselhos, não são apanhados pelas autoridades por descumprirem a lei Pelé, e, fim da picada, ainda são bajulados pelo governo, que anda fazendo de tudo para aliviar a dívida de quase 5 bilhões que têm com o fisco. Só não o tendo feito até agora, porque a população está de olho em tudo.
O senador Romário, fazendo a parte dele, depois de conseguir emplacar a CPI da CBF – ou será do futebol? – pediu a quebra do sigilo bancário da CBF e de pessoas que com ela negociam , do comandante maior, além da apresentação dos contratos milionários que sustentam seu luxo, que garantem salários astronômicos em vários níveis etc.
Pedido aprovado, presidente da entidade luta para não abrir o jogo. Recorreu ao STF que, esperamos todos, deve negar o recurso, se possível dizendo que tem coisas mais importantes para decidir – como mandar para a cadeia todo político comprovadamente corrupto.
Se nada tem a esconder, por quê não ir lá e mostrar tudinho? Aliás, como fez Romário, quando acusado de ter conta em banco suiço, não declarada ao Imposto de Renda. Quem não deve, diz o adágio, não teme.
Na mesma linha de raciocínio, vale indagar se o mesmo não deveria fazer – para seus associados – a diretoria do São Paulo, do Corinthians, do Santos, clubes atolados em dívidas, embora tenham, ao longo desses anos, arrecadado muito. Por que o São Paulo deve quase 300 milhões? Como chegou a essa situação? Por que o Corinthians não depositou – como já foi dito – os impostos devidos? Por que pagou – sempre com base no que antigos diretores disseram – tão caro por Pato? E como um clube que tem Neymar, para não falar de outros, o deixa ir embora e praticamente nada embolsa?
​  Perceberam que dos ditos quatro grandes de São Paulo, não falei do Palmeiras. E que, dizem, suas dívidas – tirando as antigas, que o governo se esforça…- as outras foram cobertas por seu apaixonado presidente. Não deve aos bancos, mas deve a ele. Faz diferença? Talvez a taxa dos juros. É o que tem a melhor arena, lotada em todos os jogos, a preços salgados, mas, nem por isso se pode dizer sossegado..
A construtora da arena, dizendo-se também apertada financeiramente, pensa vendê-la e diz ter comprador. Não sei o que está no contrato, mas é para preocupar. E a arena do Corinthians?
Faz tempo que o futebol deixou de ser um esporte administrado por apaixonados torcedores de seus clubes. Faz tempo que se tornou um grande e não bem esclarecido negócio.

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