LOGO, LOGO VAI VOLTAR O PAPO FURADO DO MATA-MATA

por: José Maria de Aquino

Contam que para colocar a revista nas bancas poucas horas após o fim da folia do carnaval, os títulos e as legendas das fotos picantes da edição da “Fatos e Fotos’, eram escritas antes. E dizem que até mesmo algumas fotos eram de outros carnavais.   Assim acontecia, também, com a sangrenta, às vezes divertida, Notícias Populares.
Mas não era só nos carnavais que títulos e manchetes eram boladas antes e repetidas anos seguidos. Na Semana Santa, lá vinha a “Vai faltar preixe”. E no finados, lá estava, “Preço das flores está por hora da morte”.
No futebol a mesmice não perde de goleada. Calma, não vou falar “do apito amigo do Timão”, que, andam dizendo, este ano está mais atuante que radar nas avenidas e marronzinhos nas esquinas. Falo da velha cantiga dos pontos corridos nos Brasileiros ou dos tal mata-mata, que surge sempre que um time dispara ou ameaça disparar na liderança, passando a sensação de que não mais será alcançado.
Ideal para uns, ruim para outros, jogo no time da segunda observação. O Brasileirão – por que será que o trato no aumentativo? – está apenas na 20a rodada e muita coisa poderia mudar nas 18 que restam. Poderia, mas me parece difícil. O Corinthians  lidera tranquilo (43), dez a mais que o Fluminense, quarto, seis na frente do Grêmio, terceiro, e quatro do Atlético-MG, vice.
Grêmio, Fluminense e os que vêm a seguir – Palmeiras e São Paulo, ambos com31 – não me parecem ter fôlego para alcançar o Timão. O Grêmio pelo noviciado. E os demais pela irregularidade. Resta o Galo.
Mais três, quatro rodadas com o Corinthians mantendo ou aumentando a distância – o que não é improvável – , as viuvas do mata-mata voltarão à choradeira. Ao papo de que “dá mais emoção, mantêm o interesse da torcida até o fim, proporciona maiores arrecadações”…Ainda que fosse verdade, e não é, esquecem o ponto fundamental de uma competição: o de que deve vencer o melhor. O melhor em toda a competição e não em um pedacinho dela.
Jogasse hoje um mata-mata entre os quatro primeiros, com o Fluminense (33) eliminando no final o Corinthians (43), e os fieis, com razão, falariam da injustiça. No livro Sagrado está que “os últimos serão os primeiros”, mas é preciso entender o seu sentido. Assim como o da parábola do filho pródigo. Algum professor mistura as notas dos melhores alunos com as dos piores e tira a média ou faz um sorteio? Já viu o supermercado Extra propor que comprem também no armazem do Zezinho? Sabe quantos exemplos do tipo dá para citar???

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