Uma proposta para revolucionar o futebol brasileiro

por: José Maria de Aquino

    Fui bom lateral pela esquerda, embora destro, do Paula Souza, com o Agope, o Zefo, o Geraldo, turma da vila Santa Clara, na Luz. Naqueles tempos, existiam pontas que jogavam bem abertos. Sendo destro, os empurrava mais para a linha lateral. Tive brilho também como armador, ao lado do Zefo.
Fui técnico do esquadrão da revista Placar, demitido sumariamente quando escalei o time com apenas 10 – esperando a chegada do Semedo, zagueiro titular – deixando Manoel Motta no banco, por estar fora de forma física. Atuei como juiz (ainda não chamavam de árbitro, uma grande bobagem) num jogo Jornal da Tarde x Estadão, de grande rivalidade, no sítio do Pacce, e me tomaram o apito quando marquei um pênalti a favor do Estadão. Eu trabalhava no JT.
Como repórter, faço perguntas mas também observo muito. Não escrevo apenas o que me falam.
Como comentarista, observo, anoto, analiso e só depois coloco o que está acontecendo, como estou vendo o jogo. Não consigo dizer que o técnico escalou o time errado, que o está orientando de forma equivocada. Menos ainda consigo dizer como devia fazer – escalar esse e não aquele jogador, posicionar o time desta ou daquela forma em campo. Aliás, jamais aceitei escalar a seleção do campeonato no final da temporada. Como fazer, se não assisto todos os jogos, ou mesmo a metade deles?
Vejo dezenas de ex-jogadores comentando essa avalanche de partidas, e também jornalista que, como dizem os “ex-craques”, “não sabem nada, porque nunca calçaram chuteiras”. Uma grande bobagem. Milhares calçam chuteiras pretas ou coloridas, assinam belos contratos, enganam anos seguidos e se aposentam sem terem tido a menor noção do que seja “um time”.
Alguns enxergam o que está acontecendo e sabem comunicar. Poucos. Edmundo, por exemplo. Outros enxergam, mas não sabem passar o que estão vendo. E muitos outros são cegos de tudo. E é pura verdade que tem os “que nunca calçaram…” e que sabem o que falam.
Estes dias tenho analisado a falta de renovação entre os técnicos. De como parecem estar superados os mais famosos, os que ganham até 600 mil por mês e ainda querem estabilidade. E pensei: por que será que os analistas que enxergam tudo, que escalam da cabine, que , comentando, mudam facilmente a forma do time atuar, que chamam os “professores” de bestiais quando vencem e de besta quando perdem, não promovem essa renovação? Não vão para a beira do campo? Ganhariam muito mais…

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