TOPADAS ENSINAM ANDAR, MAS NÃO APRENDEM. POR QUE SERÁ?  

por: José Maria de Aquino 

Conhecido ditado diz que “topadas ensinam andar”. Fácil de ser entendido. É fechar os olhos para lembrar como andamos mais rapidinho quando metemos o bico do pé num buraco – a cidade tem mil deles por metro quadrado à nossa espera.
No futebol brasileiro, as topadas acontecem quando um clube se vê de tal forma atolado em dívidas e sem crédito na praça, com os bancos dizendo não e a Poderosa informando que já sacaram pelos dois ou três Brasileiros futuros.
Quando o cinto aperta até o último furo, a saída é olhar para a base. Dar chance para os jogadores revelados nos terrões ou nos modernos CTs, tão decantados, tão onerosos e quase nada produtivos.
Entra o “se falta grana, vai tu mesmo”. Ou, bem melhor, “se não tem medalhão, joguemos as pratas da casa às feras”.
É o caso atual do Corinthians, que tem sido do Santos através dos tempos, que no São Paulo falam muito mas nada acontece. Como no Flamengo, no Vasco…
Atolado em dívidas, que nem são assim tão novas, mas que explodiram com as mudanças de direção e o acumulo de delações, o Corinthians enrolou o quanto pode, mas acabou dizendo não às milionárias pedidas do atacante Guerreiro para renovar contrato. Um direito de quem fazia a proposta e apresentava seus gols como importante argumento. E a obrigação da diretoria de, mesmo com o risco de sofrer a ira da torcida, dizer não. Já não havia onde ir buscar 18 milhões por três anos de contrato.
No embalo da saída de Guerreiro, deixaram, de forma inteligente, que Sheik fizesse as malas e partisse.
Sem saída, o técnico Tite foi obrigado a encontrar um caminho, dando oportunidade ao jovem Luciano, prata da casa, que, sem o cinto apertado, mofaria no banco ou seria vendido às pressas como tantos outros. Virou artilheiro, o time  lidera o campeonato, e a torcida já não chora a saída de Guerrero, que não marca há cinco jogos no Flamengo  É Paolo mas não é santo, e não faz milagres.
Falando em Flamengo, o mais querido é o exemplo carioca dessa grande verdade. Enquanto abriu os portões da Gávea para garotos – e isso vem de longas datas, com Evaristo, Henrique, Dida, Babá, Carlinhos, Andrade, Leandro, Adílio, Zico e tantos outros -, foi um time vencedor. Quando decidiu comprar jogadores de categoria duvidosa, sem que a conta fechasse, passou a mero participante. O Vasco segue seus passos. E por lá costuma se salvar o Fluminense, com a chocadeira de Xerém. Mas podia ser bem melhor.
Por aqui, o São Paulo, de uns tempos para cá, piorando quando se escondeu em Cotia, especializou-se em “vender pintinhos de um dia” para comprar galos cegos. E o Santos é o retrato perfeito das “topadas que ensinam andar”. Vem de antes de Pelé, com os irmãos Álvaro e Ramiro, passa por Clodoaldo, Pita, Juari, Robinho até chegar em Neymar e logo se falará de Gabriel, Lucas Lima, Geovânio…
A desgraça, é que assim que o dedão começa a melhorar, logo voltam a dar topadas Por que será?

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