A GLOBO (E AS OUTRAS EMISSORAS) ESTÁ CERTA OU ERRADA?

por: José Maria de Aquino

São muitos os truques para se tentar colocar o ovo de pé. Desde quando a memória alcança. Muitos usados de forma direta, simples. Outros mais criativos. A finalidade sempre a mesma: dar visibilidade a uma marca, um produto. Lá atrás, bem atrás, a Lacta comprou a valiosa marca Diamante Negro, pagando 80 mil reis (é reis mesmo) ao, assim apelidado por suas qualidades no futebol, Leônidas da Silva. Muito tempo depois, achando que havia vendido por pouco, Leônidas tentou recuperar a marca ou receber mais por ela. Sem sucesso.
Tempos depois, coincidindo com  a chegada da televisão por aqui, jogadores famosos faziam propaganda de produtos como Gilletti, lâmina de barbear, recebendo em troca pacotinhos do produto. Pelé, já rei do futebol, posava usando ternos da Ducal. Quanto faturava? Não sei. Sei que em 66, Pepe Gordo, seu procurador, negociou a gravação do casamento de Pelé com a Tv.Excélsior. Em setembro de 70, depois do tri no México, Pelé assinou seu primeiro grande contrato de publicidade, dando nome ao Café Pelé, faturando, até hoje, uma porcentagem sobre a venda.
Mais pra cá, quem não se lembra de jogadores aparecendo nas Mesas Redondas de televisão com bonezinhos enterrados na cabeça, quase até o pescoço, e estufando o peito para mostrar a marca de camisas? O que ganhavam? Provavelmente algumas camisas a mais, para os irmãos e amigos. O que as emissoras lucravam? Nada além das presenças ilustres.
​  Já não era o “toma lá, dá cá”, mas passava. Era, digamos, uma mão lavando outra. Logo depois, os bonezinhos e as camisas já não eram de uma pequena fábrica querendo sobreviver. Eram das grandes donas do mercado internacional. E com eles vieram os tênis, as chuteiras, agasalhos, que presenteavam fotógrafos, cinegrafistas, produtores…Quanto custavam para os gigantes? Nem o custo de uma mariola. Mas os segundos da marca exibidos nas televisões, esses correspondiam milhões. Era uma teta.
Já não era uma mão dupla, surgia uma terceira via – a televisão. Para cortar o exagero, uma orientação:”enquadrem  os jogadores cortando os bonezinhos ( cada vez mais enterrados até o pescoço). Depois, veio a marca na gola da camisa, nos painéis…hoje mostrados, graças a um acordo com os clubes.
Quem já esqueceu de Romário, contratado pela cervejaria, levantando o indicador para significar “a número um”? Que não tinha contrato assinado com a Globo e que procurava botar o ovo de pé, inundando as arquibancadas dos estádios onde eram disputdas as eliminatórias para a Copa de 90, com aquela mão gigante. Gastando, naturalmente, 2% do que lhe custariam as cotas para anunciantes. A ordem foi cortar da transmissão as placas colocadas junto ao alambrado do estádio de Florianópolis – o que valia cortar, também, as pernas dos jogadores. Foi um desastre, lembra-se? Que outra decisão tomar? Diga lá…
​  ((depois tem mais ovos sendo colocados de pé)))

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