CATANDO MOEDINHAS E QUEBRANDO COFRINHOS

por: José Maria de Aquino

​Sabe quando a situação aperta e você cata moedinhas nos bolsos, no fundo da gaveta e, no desespero, até quebra o cofrinho do filho, prometendo devolver a ele a pequena poupança que faz pensando naquele autorama? Pois é assim que alguns clubes brasileiros vivem no momento – o que, diga-se logo, nada tem a ver com as burradas – para não escrever palavrão – feitas pelo governo com suas pedaladas, com um amontoado de ministérios, com cartões que usam sem necessidade de comprovação etc
A crise financeira que atola os clubes brasileiros não são de agora, são de muito tempo, e só crescem mais do que bolo bem batido, porque os cartolas não são vigiados pelos conselhos, não são apanhados pelas autoridades por descumprirem a lei Pelé, e, fim da picada, ainda são bajulados pelo governo, que anda fazendo de tudo para aliviar a dívida de quase 5 bilhões que têm com o fisco. Só não o tendo feito até agora, porque a população está de olho em tudo.
O senador Romário, fazendo a parte dele, depois de conseguir emplacar a CPI da CBF – ou será do futebol? – pediu a quebra do sigilo bancário da CBF e de pessoas que com ela negociam , do comandante maior, além da apresentação dos contratos milionários que sustentam seu luxo, que garantem salários astronômicos em vários níveis etc.
Pedido aprovado, presidente da entidade luta para não abrir o jogo. Recorreu ao STF que, esperamos todos, deve negar o recurso, se possível dizendo que tem coisas mais importantes para decidir – como mandar para a cadeia todo político comprovadamente corrupto.
Se nada tem a esconder, por quê não ir lá e mostrar tudinho? Aliás, como fez Romário, quando acusado de ter conta em banco suiço, não declarada ao Imposto de Renda. Quem não deve, diz o adágio, não teme.
Na mesma linha de raciocínio, vale indagar se o mesmo não deveria fazer – para seus associados – a diretoria do São Paulo, do Corinthians, do Santos, clubes atolados em dívidas, embora tenham, ao longo desses anos, arrecadado muito. Por que o São Paulo deve quase 300 milhões? Como chegou a essa situação? Por que o Corinthians não depositou – como já foi dito – os impostos devidos? Por que pagou – sempre com base no que antigos diretores disseram – tão caro por Pato? E como um clube que tem Neymar, para não falar de outros, o deixa ir embora e praticamente nada embolsa?
​  Perceberam que dos ditos quatro grandes de São Paulo, não falei do Palmeiras. E que, dizem, suas dívidas – tirando as antigas, que o governo se esforça…- as outras foram cobertas por seu apaixonado presidente. Não deve aos bancos, mas deve a ele. Faz diferença? Talvez a taxa dos juros. É o que tem a melhor arena, lotada em todos os jogos, a preços salgados, mas, nem por isso se pode dizer sossegado..
A construtora da arena, dizendo-se também apertada financeiramente, pensa vendê-la e diz ter comprador. Não sei o que está no contrato, mas é para preocupar. E a arena do Corinthians?
Faz tempo que o futebol deixou de ser um esporte administrado por apaixonados torcedores de seus clubes. Faz tempo que se tornou um grande e não bem esclarecido negócio.

LOGO, LOGO VAI VOLTAR O PAPO FURADO DO MATA-MATA

por: José Maria de Aquino

Contam que para colocar a revista nas bancas poucas horas após o fim da folia do carnaval, os títulos e as legendas das fotos picantes da edição da “Fatos e Fotos’, eram escritas antes. E dizem que até mesmo algumas fotos eram de outros carnavais.   Assim acontecia, também, com a sangrenta, às vezes divertida, Notícias Populares.
Mas não era só nos carnavais que títulos e manchetes eram boladas antes e repetidas anos seguidos. Na Semana Santa, lá vinha a “Vai faltar preixe”. E no finados, lá estava, “Preço das flores está por hora da morte”.
No futebol a mesmice não perde de goleada. Calma, não vou falar “do apito amigo do Timão”, que, andam dizendo, este ano está mais atuante que radar nas avenidas e marronzinhos nas esquinas. Falo da velha cantiga dos pontos corridos nos Brasileiros ou dos tal mata-mata, que surge sempre que um time dispara ou ameaça disparar na liderança, passando a sensação de que não mais será alcançado.
Ideal para uns, ruim para outros, jogo no time da segunda observação. O Brasileirão – por que será que o trato no aumentativo? – está apenas na 20a rodada e muita coisa poderia mudar nas 18 que restam. Poderia, mas me parece difícil. O Corinthians  lidera tranquilo (43), dez a mais que o Fluminense, quarto, seis na frente do Grêmio, terceiro, e quatro do Atlético-MG, vice.
Grêmio, Fluminense e os que vêm a seguir – Palmeiras e São Paulo, ambos com31 – não me parecem ter fôlego para alcançar o Timão. O Grêmio pelo noviciado. E os demais pela irregularidade. Resta o Galo.
Mais três, quatro rodadas com o Corinthians mantendo ou aumentando a distância – o que não é improvável – , as viuvas do mata-mata voltarão à choradeira. Ao papo de que “dá mais emoção, mantêm o interesse da torcida até o fim, proporciona maiores arrecadações”…Ainda que fosse verdade, e não é, esquecem o ponto fundamental de uma competição: o de que deve vencer o melhor. O melhor em toda a competição e não em um pedacinho dela.
Jogasse hoje um mata-mata entre os quatro primeiros, com o Fluminense (33) eliminando no final o Corinthians (43), e os fieis, com razão, falariam da injustiça. No livro Sagrado está que “os últimos serão os primeiros”, mas é preciso entender o seu sentido. Assim como o da parábola do filho pródigo. Algum professor mistura as notas dos melhores alunos com as dos piores e tira a média ou faz um sorteio? Já viu o supermercado Extra propor que comprem também no armazem do Zezinho? Sabe quantos exemplos do tipo dá para citar???

Uma proposta para revolucionar o futebol brasileiro

por: José Maria de Aquino

    Fui bom lateral pela esquerda, embora destro, do Paula Souza, com o Agope, o Zefo, o Geraldo, turma da vila Santa Clara, na Luz. Naqueles tempos, existiam pontas que jogavam bem abertos. Sendo destro, os empurrava mais para a linha lateral. Tive brilho também como armador, ao lado do Zefo.
Fui técnico do esquadrão da revista Placar, demitido sumariamente quando escalei o time com apenas 10 – esperando a chegada do Semedo, zagueiro titular – deixando Manoel Motta no banco, por estar fora de forma física. Atuei como juiz (ainda não chamavam de árbitro, uma grande bobagem) num jogo Jornal da Tarde x Estadão, de grande rivalidade, no sítio do Pacce, e me tomaram o apito quando marquei um pênalti a favor do Estadão. Eu trabalhava no JT.
Como repórter, faço perguntas mas também observo muito. Não escrevo apenas o que me falam.
Como comentarista, observo, anoto, analiso e só depois coloco o que está acontecendo, como estou vendo o jogo. Não consigo dizer que o técnico escalou o time errado, que o está orientando de forma equivocada. Menos ainda consigo dizer como devia fazer – escalar esse e não aquele jogador, posicionar o time desta ou daquela forma em campo. Aliás, jamais aceitei escalar a seleção do campeonato no final da temporada. Como fazer, se não assisto todos os jogos, ou mesmo a metade deles?
Vejo dezenas de ex-jogadores comentando essa avalanche de partidas, e também jornalista que, como dizem os “ex-craques”, “não sabem nada, porque nunca calçaram chuteiras”. Uma grande bobagem. Milhares calçam chuteiras pretas ou coloridas, assinam belos contratos, enganam anos seguidos e se aposentam sem terem tido a menor noção do que seja “um time”.
Alguns enxergam o que está acontecendo e sabem comunicar. Poucos. Edmundo, por exemplo. Outros enxergam, mas não sabem passar o que estão vendo. E muitos outros são cegos de tudo. E é pura verdade que tem os “que nunca calçaram…” e que sabem o que falam.
Estes dias tenho analisado a falta de renovação entre os técnicos. De como parecem estar superados os mais famosos, os que ganham até 600 mil por mês e ainda querem estabilidade. E pensei: por que será que os analistas que enxergam tudo, que escalam da cabine, que , comentando, mudam facilmente a forma do time atuar, que chamam os “professores” de bestiais quando vencem e de besta quando perdem, não promovem essa renovação? Não vão para a beira do campo? Ganhariam muito mais…

TOPADAS ENSINAM ANDAR, MAS NÃO APRENDEM. POR QUE SERÁ?  

por: José Maria de Aquino 

Conhecido ditado diz que “topadas ensinam andar”. Fácil de ser entendido. É fechar os olhos para lembrar como andamos mais rapidinho quando metemos o bico do pé num buraco – a cidade tem mil deles por metro quadrado à nossa espera.
No futebol brasileiro, as topadas acontecem quando um clube se vê de tal forma atolado em dívidas e sem crédito na praça, com os bancos dizendo não e a Poderosa informando que já sacaram pelos dois ou três Brasileiros futuros.
Quando o cinto aperta até o último furo, a saída é olhar para a base. Dar chance para os jogadores revelados nos terrões ou nos modernos CTs, tão decantados, tão onerosos e quase nada produtivos.
Entra o “se falta grana, vai tu mesmo”. Ou, bem melhor, “se não tem medalhão, joguemos as pratas da casa às feras”.
É o caso atual do Corinthians, que tem sido do Santos através dos tempos, que no São Paulo falam muito mas nada acontece. Como no Flamengo, no Vasco…
Atolado em dívidas, que nem são assim tão novas, mas que explodiram com as mudanças de direção e o acumulo de delações, o Corinthians enrolou o quanto pode, mas acabou dizendo não às milionárias pedidas do atacante Guerreiro para renovar contrato. Um direito de quem fazia a proposta e apresentava seus gols como importante argumento. E a obrigação da diretoria de, mesmo com o risco de sofrer a ira da torcida, dizer não. Já não havia onde ir buscar 18 milhões por três anos de contrato.
No embalo da saída de Guerreiro, deixaram, de forma inteligente, que Sheik fizesse as malas e partisse.
Sem saída, o técnico Tite foi obrigado a encontrar um caminho, dando oportunidade ao jovem Luciano, prata da casa, que, sem o cinto apertado, mofaria no banco ou seria vendido às pressas como tantos outros. Virou artilheiro, o time  lidera o campeonato, e a torcida já não chora a saída de Guerrero, que não marca há cinco jogos no Flamengo  É Paolo mas não é santo, e não faz milagres.
Falando em Flamengo, o mais querido é o exemplo carioca dessa grande verdade. Enquanto abriu os portões da Gávea para garotos – e isso vem de longas datas, com Evaristo, Henrique, Dida, Babá, Carlinhos, Andrade, Leandro, Adílio, Zico e tantos outros -, foi um time vencedor. Quando decidiu comprar jogadores de categoria duvidosa, sem que a conta fechasse, passou a mero participante. O Vasco segue seus passos. E por lá costuma se salvar o Fluminense, com a chocadeira de Xerém. Mas podia ser bem melhor.
Por aqui, o São Paulo, de uns tempos para cá, piorando quando se escondeu em Cotia, especializou-se em “vender pintinhos de um dia” para comprar galos cegos. E o Santos é o retrato perfeito das “topadas que ensinam andar”. Vem de antes de Pelé, com os irmãos Álvaro e Ramiro, passa por Clodoaldo, Pita, Juari, Robinho até chegar em Neymar e logo se falará de Gabriel, Lucas Lima, Geovânio…
A desgraça, é que assim que o dedão começa a melhorar, logo voltam a dar topadas Por que será?

CERTOS JOGADORES DEVIAM SER ETERNOS

por: José Maria de Aquino

O médico Joaquim Grava, grande ortopedista, vai examinar os joelhos do craque Rivaldo, com a esperança de diminuir os problemas que pentacampeão mundial sofre e, assim, prorrogar por mais uns tempos sua fabulosa carreira. Rivaldo tem 43 anos de idade, despediu-se dos campos na sexta-feira, dia 15, marcando o gol no empate (1 a 1) do seu time, Mogi Mirim, contra a Luverdense, pela série B do Brasileirão.
O futebol brasileiro está tão carente de grandes jogadores, craques de verdade, que nos obriga a desejar que um dos que através dos tempos merece assim ser chamado, prorrogue sua vida de atleta, deixando a aposentadoria para mais tarde – mesmo tendo chegado aos 43.
A vida é perfeita. O mundo é perfeito. Nós é que, às vezes, pensando apenas nos nossos próprios interesses – no caso o de amar o futebol bem jogado – fazemos exigências acima do que é normal, o que os olhos tortos enxergam como erro da natureza.  É que, na vida intelectual, quanto mais se vive, mais se aprende e tem a ensinar – o que, diga-se logo, por aqui não é apreciado, ao contrário do que ocorre em  outros países, por isso mais adiantados. Já com os atletas, que precisam não apenas do cérebro, mas também do físico, acontece diferente. Não adianta a cabeça pensar, porque as pernas já não a obedecem.
Rivaldo é um privilegiado, abençoado pelo Deus da bola, podendo, por estranho que possa parecer, bater no peito e dizer que tem esse reconhecimento, mesmo não sendo um marqueteiro. Não tendo usado, providenciado, solicitado ou pago por uma divulgação mais marcante. Para aparecer em manchetes garrafais e mais constantes, merecendo-as ou não. Se bem me faço entender. Rivaldo  joga no time dos que o elogio é maior quando se pergunta por que não, do que quando se indaga por que foi.
Há bons anos, quando trabalhava na Poderosa e pretendi comemorar mais um aniversário de Pelé, imaginei transformar em gols aqueles dois lances marcantes da Copa de 1970, no México. O do chute do meio do campo, pegando todos de surpresa – eu mesmo resmunguei, acho até que o xinguei na hora – mais, ainda, o goleiro Viktor, da Checoslováquia. E o da finta de corpo no Mazurkiewicz, contra o Uruguai. Lembram-se? As duas bolas não entraram e pedi a um editor do Rio para que, usando a nova tecnologia, as fizesse ir para as redes. As edições, muito mal feitas, com cortes e não com o uso da tecnologia, ficaram uma grande porcaria.
E eu, depois, agradeci que assim fosse. É que as bolas não tendo entrado, revelam melhor a genialidade de Pelé. Porque os lances sempre são repetidos, para destacar sua visão, o quanto enxergava mais que todos os outros juntos. Caso contrário, seriam “apenas” mais dois gols dele.
É isso, muitas vezes um lance aparentemente simples, sem tocar na bola, apenas criando chance para um companheiro, é muito mais importante e decisivo do que o simples toque para as redes. Para mim, um lance que nesse sentido coloco ao lado daqueles dois de Pelé, é o da abertura de pernas feita por Rivaldo, contra a Alemanha, na decisão do título de 2002, que deixou, com afeto e carinho, a bola para Ronaldo marcar. Revelou inteligência e absoluta falta de egoismo, tão raro no futebol e na vida.

A GLOBO (E AS OUTRAS EMISSORAS) ESTÁ CERTA OU ERRADA?

por: José Maria de Aquino

São muitos os truques para se tentar colocar o ovo de pé. Desde quando a memória alcança. Muitos usados de forma direta, simples. Outros mais criativos. A finalidade sempre a mesma: dar visibilidade a uma marca, um produto. Lá atrás, bem atrás, a Lacta comprou a valiosa marca Diamante Negro, pagando 80 mil reis (é reis mesmo) ao, assim apelidado por suas qualidades no futebol, Leônidas da Silva. Muito tempo depois, achando que havia vendido por pouco, Leônidas tentou recuperar a marca ou receber mais por ela. Sem sucesso.
Tempos depois, coincidindo com  a chegada da televisão por aqui, jogadores famosos faziam propaganda de produtos como Gilletti, lâmina de barbear, recebendo em troca pacotinhos do produto. Pelé, já rei do futebol, posava usando ternos da Ducal. Quanto faturava? Não sei. Sei que em 66, Pepe Gordo, seu procurador, negociou a gravação do casamento de Pelé com a Tv.Excélsior. Em setembro de 70, depois do tri no México, Pelé assinou seu primeiro grande contrato de publicidade, dando nome ao Café Pelé, faturando, até hoje, uma porcentagem sobre a venda.
Mais pra cá, quem não se lembra de jogadores aparecendo nas Mesas Redondas de televisão com bonezinhos enterrados na cabeça, quase até o pescoço, e estufando o peito para mostrar a marca de camisas? O que ganhavam? Provavelmente algumas camisas a mais, para os irmãos e amigos. O que as emissoras lucravam? Nada além das presenças ilustres.
​  Já não era o “toma lá, dá cá”, mas passava. Era, digamos, uma mão lavando outra. Logo depois, os bonezinhos e as camisas já não eram de uma pequena fábrica querendo sobreviver. Eram das grandes donas do mercado internacional. E com eles vieram os tênis, as chuteiras, agasalhos, que presenteavam fotógrafos, cinegrafistas, produtores…Quanto custavam para os gigantes? Nem o custo de uma mariola. Mas os segundos da marca exibidos nas televisões, esses correspondiam milhões. Era uma teta.
Já não era uma mão dupla, surgia uma terceira via – a televisão. Para cortar o exagero, uma orientação:”enquadrem  os jogadores cortando os bonezinhos ( cada vez mais enterrados até o pescoço). Depois, veio a marca na gola da camisa, nos painéis…hoje mostrados, graças a um acordo com os clubes.
Quem já esqueceu de Romário, contratado pela cervejaria, levantando o indicador para significar “a número um”? Que não tinha contrato assinado com a Globo e que procurava botar o ovo de pé, inundando as arquibancadas dos estádios onde eram disputdas as eliminatórias para a Copa de 90, com aquela mão gigante. Gastando, naturalmente, 2% do que lhe custariam as cotas para anunciantes. A ordem foi cortar da transmissão as placas colocadas junto ao alambrado do estádio de Florianópolis – o que valia cortar, também, as pernas dos jogadores. Foi um desastre, lembra-se? Que outra decisão tomar? Diga lá…
​  ((depois tem mais ovos sendo colocados de pé)))

A GLOBO ERRA AO NÃO CHAMAR DE ALIANZ…? 

por: José Maria de Aquino

Não raras vezes, ouço e leio pessoas reclamando dos horários dos jogos exibidos pela televisão, especialmente os das 22 horas. Acham tarde. Querem que seja às 20, no mais tardar às 21 horas. Reclamam, também, da exclusividade detida pela Rede Globo, que divide as transmissões – não, naturalmente, o preço pago – com a Bandeirantes. Gostariam que todas as emissoras pudessem – desde que quisessem – exibir os jogos. Melhor ainda, escolher o “seu”jogo.
Seria o ideal, se…Se não houvesse um custo a ser pago aos clubes, via CBF. Se não houvesse um custo com a transmissão – com o pessoal envolvido, satélite etc  Se existissem patrocinadores para tantos…Seria o ideal.Maior número de jogos para se escolher. Se um não agrada, clic e logo vem outro…Mais profissionais trabalhando.
Só que não é bem assim. Jogos às 20 horas, com ou sem transmissão pela televisão inpossibilitaria uma enorme quantidade de torcedores irem aos estádios – numa cidade como São Paulo, Rio e outras capitais. Mesmo aceitando ir direto do serviço, o tempo seria curto. Jogo às 21 a barriga roncaria da mesma forma. Exigiria mudanças profundas na grade das emissoras, exatamente no horário nobre, o que mais rende a elas. As que não têm programas caros no horário, também não têm grana para pagar pelos jogos. A televisão exibe jogos às 22 horas para quem está em casa, não para quem quer ir ao estádio.
A emissora que compra os direitos pode até exigir que eles sejam marcados para as 22 horas. Podem, mas a CBF, que vende os campeonatos, não é obrigada a aceitar as exigências. Ela pode responder: “os jogos serão às 21 horas. Se não quiser, vendo para outra”. Apareceriam outras? Existem outras? Vale a pena tentar?
​  Quando o Brasileiro era comandado pelo Clube dos 13 e o marketing comandado por Jaime Franco, início da década de 90, foi feito assim. O campeonato foi vendido para o SBT e por um preço muito superior ao então pago. Só que…Só que consideraram melhor ter um pássaro na mão que dois voando.
Reclamam que a Globo não deixa que chamem as arenas pelos nomes das empresas que pagam aos clubes para coloocar suas marcas. É o caso do Alianz, no Palmeiras. A proibição vale, também, para os clubes de volei, basquete etc que são patrocinados por empresas/produtos. O argumento é de que, agindo assim a Globo não ajuda os clubes venderem suas arenas.  O Corinthians falou muito que arrecadaria 400 milhões dos árabes e até agora…
Certo ou errado? Negócio é negócio. Quando uma empresa paga para expor sua marca, o faz visando lucro, não por amor, no caso, ao esporte ou ao clube. Se calcula que terceiros divulgarão sua marca gratuitamente, comete um erro. O que ela paga ao clube é infinitamente menos do que pagaria em publicidade veiculada Vai quem quer, ou está pensando mais pra frente. Quem sabe…

(((Voltarei ao assunto)))

QUEM SABE FAZ A HORA…

por: José Maria de Aquino

​Passando os olhos pelo blog do amigo Roberto Thomé, lembrei-me das discussões – e de como era incompreendido – nos debates no Arena, da Sportv, quando deles participava. Especialmente sobre dois temas: a transferência de jogadores brasileiros para times do Exterior, e sobre jogar a primeira ou a segunda partida em casa, isto é, no seu campo de mando,  nos casos dos jogos que chamam de mata-mata.
A esmagadora maioria dos que participavam do bom programa, à época comandado por Cléber Machado, opinava que os jogadores só deviam deixar o Brasil, se fosse para atuar em times de ponta lá fora. E, não raro, citavam Real Madri, Barcelona, Manchester United, Chelsea, Arsenal, Milan, Inter de Milão e, com muita boa vontade “aceitavam” falar em Atlético de Madri, Paris St German…
Sempre caminhei no sentido inverso. E, para minha tranquilidade, quase a totalidade dos jogadores, quando presentes ao debate, concordava comigo. É simples: nem todos os jogadores brotados aqui e que saem, têm qualidades para defender times de primeiríssima lá fora. Os que são assim bafejados pelos deuses da bola, já são procurados por eles, não precisam exigir nem esperar.
E mais: jogadores, não aqui, mas em todas as partes, nascem em berços menos favorecidos e têm uma vida profissional curta para fazer fortuna.Se os times portugueses, franceses, italianos fora dos que são chamados de ponta, russos, ucranianos, e agora, japojeses, chineses etc, pagam bem mais do que podem faturar aqui, a ordem é se mandar. Fora do ar, usando exemplo do jornalismo, dizia a eles que nem todo jornalista precisa pensar em trabalhar apenas na Poderosa, porque há vida também em outras emissoras, onde pode mostrar suas qualidades, realizar-se e ganhar bem. Até mais, não se iludam.
Na questão sobre onde jogar a primeira partida do mata-mata, sempre dizia,e continuo dizendo, que se o time é bom, é melhor disputar a primeira em casa, fazer um bom placar e jogar o problema de mudar o resultado para o adversário. Transferir para ele o desespero, a ansiedade, a pressão da torcida…
A explicação, é que os companheiros ainda viviam nos tempos em que a presença da torcida, a pressão que ela pode exercer sobre o time visitante, existia no passado e ficou de lado com a construção de belos e confortáveis estádios.​ Confortáveis para os torcedores, para os adversários e para os árbitros, que já não sentem tanto a pressão que vem das arquibancadas e não precisão, por medo – safateza à parte – ser “caseiros”.
Foi-se o tempo em que bandeirinha deixava o estádio com o uniforme carregado de cuspe, que adversário quando ir cobrar lateral tinha a bola presa por torcedores e árbitros saiam em camburão. Alguns times, até pagaram caro por trocar seus “alçapões”´ por modernos estádios: Botafogo, Comercial,  XV de Piracicaba, para ficar por aqui, no nosso interior. Veja a diferença em que vivem Guarani e Ponta Preta…Sem medo de ser feliz, o Paulista enfrentou, e eliminou, Internacional, no Beira Rio, Fluminense, no Maracanã, em memorável campanha pela Copa do Brasil, há 10 anos. Campanha descrita pelo técnico Vágner Mancini,em livro (ainda) não publicado.

QUEM GARANTE QUE AS MULHERES MAGRAS SÃO MAIS BELAS?

por: José Maria de Aquino

Fim do jogo Palmeiras 0 x 1 Atlético Paranaense, apuro os ouvidos para curtir os comentários, numa determinada rádio. E destaco a observação sobre Walter, atacante, autor do gol que calou a animada torcida do Verdão, que mais uma vez lotal a bela arena: “Walter fez o resultado, e isso é o que interessa. Mas está gordo. Se estivesse dentro do peso ideal, jogaria melhor”.
A primeira parte entendi bem. O que a torcida espera de um atacante é que marque gols, assim como o que pede ao goleiro é que não deixe a bola passar. Mas não entendi bem o que é “estar no peso ideal”. Calma, calma, conheço bem aquela recomendação de não se pesar mais do que mostram os centímetros que ultrapassam o metro. A grosso modo, se mede 1,92, deve pesar em torno de 92 quilos. Mas, será que deve ser assim também para os atletas? Vejamos.
Mas, antes deixem-me lembrar de uma historinha envolvendo Serginho Chulapa, nos tempos de jogador do São Paulo. Um “cardeal” chegou para o técnico José Poy e fez uma pergunta, que continha certa insinuação:”Poy, por que você escala Serginho, que é um cafajeste, e não (fulano), um bom moço…”. O Serginho pode ser um cafajeste,. mas me dá média de um gol por jogo. Não quero ele para meu genro”, devolveu José Poy..
Voltando ao peso ideal para um jogador, mais duas historinhas. Todo final de treino no Parque São Jorge, Adãosinho, um craque que nasceu no tempo errado – o Corinthians tinha Rivelino na posição -, ia para a balança e anotava o peso no livro ao lado. No dia seguinte, voltava com dois, até três quilos a mais. Numa dessas, Osvaldo Brandão, técnico da época, irritado, quis saber dele o que acontecia, e Adãosinho tentou justificar: “Acho que é porque à noite como uns pasteizinhos, “seu” Osvaldo.”. E passou a correr mais 20 minutos após cada treino – sem resultado.
Tempos depois, no mesmo Corinthians, Aimoré Moreira achou que Ditão não dava segurança à defesa e pediu a contratação de outro zagueiro. Wadi Helu, presidente, negou. Ditão era o símbolo da nação corintiana etc..Aimoré insistiu e o não persistiu. “Escale, então, Laércio. Ele atuou muito bem nos juvenis”, decretou Wadi. A experiência não deu certo e Aimoré, sem outra saída, pediu para que impusessem um regime que emagrecesse Ditão, colocando-o “no peso ideal”.
Mais magro, esbelto, Ditão parecia ter perdido a força, vigor, noção de marcação. Uns tempos, e era preciso fazê-lo voltar ao “peso ideal, dele”. Ou seja: engordá-lo novamente. Um drama para os profissionais que o haviam enxugado. Drama que Aimoré logo prometeu resolver: “Vou trazer as cocadas baianas que ele adorava e que proibi na concentração. Em dez dias…”
Há dois anos, acho que é isso, o “gordo” Walter era sucesso no ataque do Goiás. O Fluminense foi buscá-lo e logo, claro, alguém disse:”temos de colocá-lo no peso ideal”. Enxugaram o gordinho e ele parou de fazer gols. Sem gols, rua com ele. Foi foi parar no Atlético…O resto acho que já sabem.