SE NÃO HÁ COMANDO A CASA CAI

por: José Maria de Aquino 

Ganso e Luiz Fabiano foram expulsos de campo na derrota do São Paulo para o Sport, por 2 a 0, domingo no Recife. O fato poderia ser visto como normal, se já não fosse, absurdamente, esperado. Ganso sofre de uma problema muito sério. Acha que continua jogando o belo futebol do primeiro semestre de 2010, no Santos, quando, com boa dose de razão, muitos pediram sua convocação para a Copa da África do Sul – o que não aconteceu. De lá para cá, talvez em razão de algumas contusões e cirurgias, está muito longe de repetir as atuações que mereceram elogios.
Como tem esse problema e não se conforma, ou não acredita e, para piorar as coisas, recebe imerecidos elogios, vem se tornando, cada vez de forma mais acentuada, um jogador nervosinho. Quero dizer, mais nervosinho do que já se mostrava quando vivia bela forma técnica. Todos devem se lembrar do que fez com o técnico Dorival Júnior, negando-se ser substituido. Desde que foi transferido para o São Paulo, alimentando os sonhos dos donos de seus direitos federativos de ficarem milionários – e os seus também, claro – fez algumas bas partidas, produziu alguns bons lances que colocaram companheiros na chamada “cara do gol”, e só. Muito pouco pelo que pagaram por ele, pelo que esperam faturar com ele, e para se tornar um ídolo no Morumbi. “Uma joia rara”, como disse há poucos dias o vice-presidente de futebol, ao negar, em entrevista, uma possível transferência. Tudo bem – e até acho isso -, que o vice estivesse “mentindo”, falando assim para, como gostam de dizer, “não desvalorizar” o patrimônio – de 35%. Mas, o que vale para o torcedor é o que o cartola fala e não o que pode pensar.
Um dia relama por ser substituido e chuta o “balde”, desrespeitando o técnico, o companheiro que ia para o jogo e, evidentemente, a torcida. O que ouviu ou falou entre paredes, não sei. Mas sei que alguns sairam em sua defesa, o tal de espírito de corpo. Foi punido? Advertido? Quem sabe informar?
Dizem que age assim porque quer ir embora, deixar o clube. Mas, para onde? Para o Santos, que o queria de graça? O Orlando, onde joga Kaká, para receber o que o São Paulo lhe deve, mas que não pagaria a parte dos “seus donos”?
Luiz Fabiano, velho conhecido, conseguiu ser expulso tendo entrado na metade do segundo tempo. Talvez por isso. Talvez porque querer sair. Talvez…..Mas, uma coisa é o jogador querer sair, outra é aparecer algum time para acertar uma negociação.
Sempre que acontecem situações desse tipo – e não é apenas no São Paulo – vem junto o que considero grande bobagem: que os jogadores querem derrubar o técnico. E que quando jogador quer sair, ninguém o segura. Sim, eu sei que é assim. O que chamo de grande bobagem não é os jogdores quererem derrubar o técnico. É aceitarem. São os diretores permitirem, se curvarem. Deixarem chegar ao também cômodo ponto de rifar o técnico, na maioria das vezes – como neste caso – sem qualquer culpa. São os cartolas bancarem babás de jogadores. Terem medo – sabe lá Deus as razões – de exigirem deles o cumprimento das  obrigações, na mesma proporção em que são obrigados a cumprir as do clube.
​  Quando o comando falha, a casa cai.

One thought on “SE NÃO HÁ COMANDO A CASA CAI”

  1. Perfeito Zé. Sem disciplina não se encontra o rumo. A percepção é de que o Osório sucumbe diante de supostas determinações da diretoria em favor dos “come e dorme”.

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