Na terra de cego, quem tem bengala é rei!

por: José Maria de Aquino

O Fluminense anunciou a contratação de Ronaldinho Gaúcho e grandes amigos, tradicionais tricolores, soltaram foguetes. Juntando sua arte aos gols de Fred, a desejada conquista do Brasileirão, ou mesmo uma vaga na Libertadores de 2016 – que antes era uma espécie de prêmio de consolação, mas vai ficando cada vez mais  motivo para festas  -,parece menos utópica, acreditam. Fred, que de bobo não tem nada, saudou o novo companheiro, classificando-o como gênio. Petit e Renatinho já o enxergam fazendo preciosos lançamentos para colocar o artilheiro toda hora na cara do gol.
A alegria é tão grande, que ninguém parece querer saber quanto o “gênio” vai ganhar. “Não é problema meu, sou só um torcedor”, ouvi. E nem adiantaria tentar, porque nem o presidente Peter Siemsen, que assumiu falando em um único mandato, mas foi ficando, ficando…, nem o vice de finanças, ninguém, saberia dizer. E não é por querer esconder, não. É porque funciona assim mesmo. Tem o salário na carteira de trabalho – pessoa física. Tem o tal direito de imagem – pessoa jurídica – feito para burlar o fisco, com anuência da lei. Tem bonificações etc. Melhor tentar descobrir a Santíssima Trindade que entender contabilidde dos clubes.
Seria ótimo, para o Fluminense, para o campeonato e até para o futebol nacional, se tudo fosse bonitinho assim.  Mas sempre ficará uma dúvida no ar. Ronaldinho foi liberado pelo futebol europeu – diga-se logo que é um dos poucos que retornaram em boas condições físicas, sem os joelhos estourados – no final de 2010, ano em que, embora barrado no Milan, tinha grande prestígio na Fifa e era apresentado como a estrela da Seleção Brasileira para Copa da África. Não foi chamado, mas seu sorriso era encontrado por lá, em enormes cartazes,por todos os cantos.
Com a carreira bem administrada pelo irmão Assis, fez jogo de cena com o Grêmio, foi paquerado pelo Palmeiras e acabou na Gávea, com a presidente Patrícia Amorim afirmando, em entrevista ao programa Camarote PFC, do qual participava ao lado de Jorge Luiz Rodrigues, na Globosat, que seu salário, com registro em carteira, era de apenas 200 mil. Não falou dos “por fora”, nem era preciso…
Como uma andorinha só não faz verão, ainda mais se cansada de longos voos, passou pelo Flamengo e não deixou saudade. No Atlético, para onde seguiu, colaborou na conquista da Libertadores de 2013 – um feito, sem dúvida. O Galo tinha um time bem montado, como tem hoje, quando lidera, sem ele, sem outros “craques”, como Tardelli, o campeonato. Passou uma temporada no time modesto do México, que não se interessou pela renovação e cá está de volta, aos 35 anos (21/3/1980.
Ronaldinho volta, mais uma vez, ao nosso futebol, como voltaram outrs estrelas já sem pernas para correr lá fora. Kaká, por uns meses no ano passado, Ronaldo, um pouco mais atrás, Alex, Robinho (de um certo modo), e, acredite, até Vágner Love. Que Deus me pergoe.
​  É o que há, para o momento. Falando de futebol, “na terra de cego quem tem bengala é rei”.

3 thoughts on “Na terra de cego, quem tem bengala é rei!”

  1. Concordo. É triste, mas verdadeiro. Não temos craques, temos bagres. E os com mais de trinta para preencher algumas lacunas da falta de talento. Um alento?

  2. E corriqueiro o dito popular “em terra de cego, quem tem olho e rei”. No entanto, uma analise realista da situacao nos mostra claramente um equivoco nesta afirmativa.

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