QUEM CABRITOS VENDE  E CABRAS NÃO TEM…

por: José Maria de Aquino

A primeira vez que fiz a indagação, foi ao então presidente do São Paulo, Fernando Casal de Rey, lá se vão mais de 20 anos. O papo ocorreu num estacionamento ao lado da sede da Federação Paulista de Futebol, quando era na avenida Brigadeiro Luiz Antônio. A resposta foi que não adiantaria, porque os clubes não eram unidos etc.
Uma das últimas vezes que tentei saber porquê os clubes não exigem da CBF participação na montanha de dinheiro que ela arrecada e, pelo que se vê, distribui fartamente entre seus diretores, foi durante o programa Camarote, do qual participava, na Globosat, comandadopelo amigo e excelente Jorge Luiz Rodrigues. A pergunta foi feita ao então presidente do Grêmio, e ouvi dele que, quando os clubes tocavam na questão, junto aos cartolas da entidade, eles respondiam que não tinham nada a distribuir, porque os clubes já lucram bem com a valorização dos jogadores convocados.
Há dois anos, quando a situação financeira do São Paulo já era sufocante, embora os balanços divulgados escondessem o vermelhão, o na época presidente, Juvenal Juvêncio, chateado com Ricardo Teixeira, ainda o dono da bola, por ter tirado o Morumbi da mira da Fifa para jogos da fatídica Copa 2014, saiu gritando que estava cobrando da CBF uma dívida superior a 12 milhões de reais. Dívida correspondente aos salários não pagos pela convocação de jogadores para a seleção. Se cobrou, ninguém sabe, ninguém viu.
Mas, parece que não, porque o assunto volta à pauta, agora com Carlos Miguel Aidar, seu sucessor na poltrona e inimigo declarado. O novo comandante da nau tricolor, acaba de afirmar que vai cobrar da mesma fonte, nada menos que 23 milhões. Irá? Receberá? Será seguido pelos outros clubes?
Sempre defendi – e continuo – que os clubes devem ter participação na bolada que a CBF arrecada, não porque ela nada em din heiro e eles estão falidos. Não é por isso. Os clubes estão falidos porque seus cartolas querem, interessa a eles. Não querem administrá-los como fazem em seus negócios, se é que têm algum. Dentro de um orçamento, não gastando mais do que arrecadam etc Falam que o futebol é tocado com a emoção e não com a razão, e fica por isso mesmo. Mandam às favas a lei de responsabilidade.
Acho que devem ter participação sobre toda bolada que arrecada, e não apenas com os jogos. Porque os patrocinadores só existem porque existe a seleção e esta só existe às custas dos clubes… Mais: a grana deve ser distribuida com todos os clubes, e não apenas com os que cedem jogadores. Aqui, cabe indenizar os clubes que cedem seus jogadores pelo tempo que deixam de servi-los. Em caso de contusão, até que voltem a jogar.
A CBF, para fazer uma comparação, age como uma montadora de carros, que, claro, paga aos fornecedores das peças etc. Por que, como dizem na “santa terrinha” – quem cabritos vende e cabras não tem, de alguma parte lhes vem…

O QUE ESTÁ ERRADO NO CASO DUDU

por: José Maria de Aquino

Na década de 60, havia um programa humorístico na tv brasileira e um dos quadros tinha como figura cental Jakeline Mirna – que mereceu reportagem no primeiro número do Jornal da Tarde (4/01/66). Ela fazia uma francesinha inocente que era paquerada e recebia muitos presentes dos marmanjos. No final, Jakeline sempre repetia que “brasileiro é muito bonzinho”.
Era e continua. Brasileiro é muito bonzinho. Leio e ouço mil jeitinhos de tentarem acabar ou pelo menos diminuir – drasticamente – a pena de seis meses imposta ao jogador Dudu, do Palmeiras, por ter, num momento de baixa do time, querendo mostrar raça, luta, fibra aos torcedores – deu um safanão nas costas do árbitro, em uma partida pelo Paulista.
Julgado, Dudu pegou seis meses de gancho, que ainda não começou a cumprir. A legislação esportiva brasileira também permite uma série enorme de recursos. Jogou, ou esteve á disposição do técnico em todas as 13 rodadas do Brasileiro, até perder o recurso, na segunda-feira. Deveria começar a cumprir a pena, mas o Palmeiras já está providenciando novos recursos.
Ok, o mínimo que se lê e ouve, é que seis meses é um tempo longo demais para um profissional não jogar. Que ele estaria sendo proibido de trabalhar, o que é ilegal. E vai por aí…Por acaso um jogador  atingido maldosamente pelo adversário e que em consequência fica meses, anos em tratamento não foi proibido de jogar?
A lei existe e, em princípio deve ser respeitada. Os clubes deviam – mas não fazem – orientar seus jogadores para que tomem conhecimento de tudo que pode lhes afetar, incluindo aí os regulamentos dos campeonatos. Forma de disputa, contagem de pontos, o que prevalece em caso de empates etc.
Quando era o Reizinho do Parque, Rivelino, também num momento de tensão – o Corinthians não ganhava títulos – num lance de confusão, chutou a canela de bandeirinha Molina. Ia pegar um gancho bravo, mas foi salvo por Ary Silva, brilhante jornalista, advogado, membro do TJD da FPF. Ary Silva desclassificou a agressão para algo parecido com escárnio Não quis agredir o bandeirinha, mas apenas zombar dele.
Falar em ilegalidade, porque o jogador punido não pode exercer sua profissão é bobagem. É assim em todas as áreas. Aliviar a barra do jogador, é incentivar a pratica de violência, seja contra árbitros, seja contra adversários. Tentar diminuir a pena ou convertê-la em outra menos pesada, é obrigação dos que atuam em sua defesa.
O erro, porém, está no exagero de algumas penas impostas pelo CBDF, principalmente se comparadas às impostas pelas leis penais para delitos iguais. Que punição é dada a  uma pessoa que empurra outra, mesmo sendo um Juiz? Calma, sei bem que o esportista deve dar exemplos, que uma partida de futebol – no caso – está sendo vista por milhares de pessoas etc.
Sempre que a cobrança é exagerada, a tendência é que se faça o contrário. Não se a pague. Ou se invente uma forma terminantemente suave de pagá-la, o que provoca costume condenável.

GANSO DEVERIA CONVERSAR COM PELÉ

por: José Maria de Aquino

Sabe aquela história do “devo, não nego, pago quando puder?”. Pois é, no futebol brasileiro há muito deixou de ser apenas um ditado, ou um caso fortuito, para ser o normal. Todos os clubes devem para todo mundo: para outros clubes, governos, bancos, jogadores, técnicos, fornecedores….Ao governo, faz tempo, bem orquestrados, vão empurrando com a barriga, contando com a ideia de que “nenhum terá coragem de enfrentar e, se preciso, fechar os grandes” (?), por medo da reação dos torcedores. Aos bancos, onde o buraco é mais embaixo, correm, pagam os juros, esticam o principal aqui e ali. Atrasam a grana dos jogadores e dos técnicos, mas acabam pagando. E os “craques e os professores”, embora reclamem pela imprensa, só raramente recorrem à Justiça – porque preferem receber uma bolada, ainda que atrasado, a receber menos, embora em dia.
Antigamente, os clubes, e mesmo a maioria dos jogadores, eram mais reservados, desconversavam, diziam que era questão interna, garantiam que a grana já estava no banco etc Hoje, algums com a cara mais lavada do mundo, repetem aquele ditado lá de cima.
Cobrado pelo Orlando que, embora comandado por brasileiros, age como manda o figurino americano, isto é, fala grosso e manda avisos – o São Paulo, por seu presidente, tenta negar que deve coisa de 14 milhões, pelo empréstimo de Kaká no ano passado.
Deve, nega, e…..É isso mesmo, não tem como pagar. Os cofres estão cheios de vento. Para não continuar no calote, o clube americano quer levar o meia Ganso, mandando, ainda, 5 milhões de reais. Isso pelos 35% que pertencem ao São Paulo. E Ganso quer se mandar. Livrar-se das vaias da torcida. Buscar novos ares..
Não sei se chegarão a um acordo, mas vale “aconselhar” ao Ganso levar um bom papo com Pelé, antes de tomar uma decisão. Explico: em 76, fui aos Estados Unidos para cobrir jogos pelo Torneio do Bicentenário da Independencia Americana. Como em seguida viajaria para os Jogos Olimpicos de Montreal, no Canadá, fiquei uns 10 dias por lá, providenciando uma série de reportagens. Uma delas, foi ver se Pelé estava jogando pra valer ou “enganando” os gringos.
Para a elaboração da reportagem, vi jogos sem que Pelé soubesse e conversei com companheiros dele. Dois destes – Negreiros e Miflin (peruano que tinha defendido o Santos) -, estavam  na reserva do Cosmos e reclamaram não receber apoio do Rei para serem titulares. Quando, finalmente, fui bater papo com Pelé, comentei sobre a “mágoa” dos dois. E ouvi:
“Aqui ninguém joga só com o nome. Nem eu. O futebol é corrido, sério, pesado. Estou com o mesmo peso da Copa de 70 e correndo igual. Você já viu e verá no jogo de amanhã”.
Lá se foram 39 anos, o “soccer” pode ter mudado por lá. Talvez para ser mais pegado..
((qualquer hora conto detalhes das entrevistas com Pelé))

SE NÃO HÁ COMANDO A CASA CAI

por: José Maria de Aquino 

Ganso e Luiz Fabiano foram expulsos de campo na derrota do São Paulo para o Sport, por 2 a 0, domingo no Recife. O fato poderia ser visto como normal, se já não fosse, absurdamente, esperado. Ganso sofre de uma problema muito sério. Acha que continua jogando o belo futebol do primeiro semestre de 2010, no Santos, quando, com boa dose de razão, muitos pediram sua convocação para a Copa da África do Sul – o que não aconteceu. De lá para cá, talvez em razão de algumas contusões e cirurgias, está muito longe de repetir as atuações que mereceram elogios.
Como tem esse problema e não se conforma, ou não acredita e, para piorar as coisas, recebe imerecidos elogios, vem se tornando, cada vez de forma mais acentuada, um jogador nervosinho. Quero dizer, mais nervosinho do que já se mostrava quando vivia bela forma técnica. Todos devem se lembrar do que fez com o técnico Dorival Júnior, negando-se ser substituido. Desde que foi transferido para o São Paulo, alimentando os sonhos dos donos de seus direitos federativos de ficarem milionários – e os seus também, claro – fez algumas bas partidas, produziu alguns bons lances que colocaram companheiros na chamada “cara do gol”, e só. Muito pouco pelo que pagaram por ele, pelo que esperam faturar com ele, e para se tornar um ídolo no Morumbi. “Uma joia rara”, como disse há poucos dias o vice-presidente de futebol, ao negar, em entrevista, uma possível transferência. Tudo bem – e até acho isso -, que o vice estivesse “mentindo”, falando assim para, como gostam de dizer, “não desvalorizar” o patrimônio – de 35%. Mas, o que vale para o torcedor é o que o cartola fala e não o que pode pensar.
Um dia relama por ser substituido e chuta o “balde”, desrespeitando o técnico, o companheiro que ia para o jogo e, evidentemente, a torcida. O que ouviu ou falou entre paredes, não sei. Mas sei que alguns sairam em sua defesa, o tal de espírito de corpo. Foi punido? Advertido? Quem sabe informar?
Dizem que age assim porque quer ir embora, deixar o clube. Mas, para onde? Para o Santos, que o queria de graça? O Orlando, onde joga Kaká, para receber o que o São Paulo lhe deve, mas que não pagaria a parte dos “seus donos”?
Luiz Fabiano, velho conhecido, conseguiu ser expulso tendo entrado na metade do segundo tempo. Talvez por isso. Talvez porque querer sair. Talvez…..Mas, uma coisa é o jogador querer sair, outra é aparecer algum time para acertar uma negociação.
Sempre que acontecem situações desse tipo – e não é apenas no São Paulo – vem junto o que considero grande bobagem: que os jogadores querem derrubar o técnico. E que quando jogador quer sair, ninguém o segura. Sim, eu sei que é assim. O que chamo de grande bobagem não é os jogdores quererem derrubar o técnico. É aceitarem. São os diretores permitirem, se curvarem. Deixarem chegar ao também cômodo ponto de rifar o técnico, na maioria das vezes – como neste caso – sem qualquer culpa. São os cartolas bancarem babás de jogadores. Terem medo – sabe lá Deus as razões – de exigirem deles o cumprimento das  obrigações, na mesma proporção em que são obrigados a cumprir as do clube.
​  Quando o comando falha, a casa cai.

UM PORRE COM OBDULIO VARELLA E RISCO DE PRISÃO

por: José Maria de Aquino

Não, eu não estava no Maracanã na triste tarde de 16 de julho de 1950, quando o esporte brasileiro sofreu a maior derrota que posso imaginar. Moleque, em Miracema, a santa terrinha, ouvi a transmissão por rádio e devo ter ficado muito triste. Muito emocionado fiquei em maio de 1972, tomando muitas e ouvindo toda história, em viva voz, do “responsável” pela tragédia.
Fui escalado para cobrir Independiente x São Paulo, pela Libertadores, quarta, em Avellaneda. Embarquei na segunda, com “pit stop” em Montevidéu, onde, na terça, jogariam Nacional-Penarol.  Cheguei ao hotel Vitória por volta das 17, procurei o amigo Franklin Morales na redação do La Mañana, para saber de Obdulio Varella e ouvi para ir ao Club Juan Jakson, no parque, seguido de uma abservação: “vai perder seu tempo”. Era ali que ele ia quase todas as noites e onde os campeões do mundo de 1950 se  reuniam todos os dias 16 de julho para comemorar. Menos Schiaffino, “ele ficou rico”.
Sem ter mesmo o que fazer, tomei um taxi, com o fotógrafo Fernando Pimentel. Lá estava ele com um grupo de amigos, jogando bocha. Um deles, Atílio Garcia, considerado dos maiores atacantes uruguaios, perguntou o que eu queria. Falar com ele, respondi.
– Negro (é assim que os amigos o chamavam), esse moço, jornalista brasileiro, quer falar com você.
Levantou a cabeça, olhou para mim, nada falou. Voltou ao jogo. Ouvi mais um conselho:”não perca seu tempo. Ele não dá entrevistas, muito menos para brasileiros”.
Continuava sem ter o que fazer. Cruzei os braços e fiquei. Uma, duas, talvez mais horas. Até que Obdulio deixa o jogo e se aproximou:
– O que você quer?
– Conversar com o senhor. Zezé Moreira me disse.
Fui interrompido.
– Ele não sabe nada. Afundou o futebol uruguaio, trazendo para cá um jogo feio, defensivo…
– Também acho, disse. (Zezé Moreira não era minham pauta).
– O que você bebe?
– Cerveja.
– Bebo uisque. Vamos sentar.
Sentamos os dois. Os amigos – uns 12 – ficaram em volta da mesa, não acreditando no que viam. Balançavam a cabeça, mas sempre em silêncio. Deixei que falasse – enquanto nossos copos iam sendo reabastecidos.
“A garra depende do próprio jogador. Ele nasce. Ninguém pode passar garra a ninguém. Pode ajudar, mas é só. Gritar em campo é importante, mas desde o início. Não quando o time já está perdendo.Pode valer como mais jogador. Gostava do Ademir (Menezes). Ele lutava o tempo todo. Domingos (da Guia) foi o maior.”
“Segurei a bola depois do gol do Friaça alegando impedimento. Não estava, mas era o jeito de passar medo na torcida, calando-a com medo do gol ser anulado. Funcionou. Não foi o Bigode que perdeu a Copa, foram os 11.O erro que ele cometeu não foi na partida, foi depois. Ele não devia ter-se escondido no sítio do Carlos Lacerda.Devia ter enfrentado o público. Reagido”.
“Não dei tapa nem cuspi em ninguém. Isso é para se pular na garganta, esganar e pisar …. Um homem não cospe no outro”
“Do nosso lado, antes do jogo, tinha autoridades pedindo para não perdermos de seis. Perdendo de pouco seriamos vices. Já estaria bom. Tive vontade de jogá-los na rua. Senti a tristeza da torcida vendo as ruas enfeitadas depois da partida, e muitas coisas atiradas no chão. Pensei em quanto dinheiro e presentes os brasileiros ganhariam. Imaginei que nos dariam um prêmio de 10 mil pesos. Pedi adiantamento de 2.500, pra comprar presentinhos para minha mulher e dois filhos, e fui chamado de mercenário. Não fui ao jantar oferecido pela Embaixada. Peguei uns trocados e fui jantar, sozinho, numa churrascaria perto do hotel (no Flamengo)”.
“Na volta, fiquei um ano correndo atrás do emprego que me prometeram. E só consegui no cassino, onde ria dos que iam lá perder dinheiro….”
Deixei que falasse. O papo foi longo. Horas. Cerveja (asia) e uisque. Obdulio Jacinto Nunes Varella tinha deixado o futebol de lado e seguido pelo caminho da política. Criticava o governo…. Preocupados, os amigos disseram que a cerveja e o uisque tinham acabado. Obdulio propôs irmos a outro lugar…Foi quando os amigos tiveram coragem de interrompê-lo, pedindo que fosse para casa. O dia não demoraria a clarear. Atílio Garcia se dirigiu a mim:
– Moço, você teve muita sorte. Já conseguiu o que nenhum brasileiro tinha conseguido. Não estrague tudo. Ele é respeitado aqui, mas…
​Percebi que era mesmo hora de voltar ao hotel…

por: José Maria de Aquino

O jogo dos milhões fora do campo
Diz o ditado que “quem tem padrinho – merecendo ou não – não morre pagão. Já quem não tem, é preciso, dia a dia, matar um leão.
No mundo é assim, e como a bola é redonda, no futebol também.
No Sul, cabeça feita, para agradar a gregos e troianos, o mesmo banco banca o vermelho e o azul.
No Rio, e por aqui, “vem pra caixa você também” – manda o “padim” repetir. Com reserva para Minas, pro adversário (político) inibir. É só esperar pra conferir.
Mas nem tudo é simples assim. Às vezes o voo é solo. E se conta com o ovo…..Fala muito, canta alto, e só então descobre que a “galinha” é galo. Promete-se embolsar uma fábula pelo direito de botar nome na arena, até descobrir, mais na frente, que árabes não são mecenas.
Melhor pra quem flerta com alemães. Namoro, noivado, casamento – e um lamento. A Poderosa não acha graça fazer propaganda, de graça. Nessa selva, que não chapeuzinho vermelho, lobo não come lobo.
Pra quem não tem “padim”, mas na hora tem o que oferecer, fica menos difícil. De fato, às vezes, pode até ficar fácil Foi assim para o São Paulo, quando pode ostentar – 6-3-3 – no peitom seus feitos.
As glórias são eternas. A história deixa marcas. Mas a bola rola, não espera. Dez anos é muito tempo no mundo dos negócios. Um marqueteiro amigo aqui, um empresário apaixonado ali, tudo bem. Promoções pontuais, pequenas faturas, nada para encher o peito de orgulho e as contas de reais. Soberano, onde estais?
Na esperança de responder, “aqui”, viu chegar de longe uma marca precisando aparecer, pra crescer. A oferta, é o que contam, vai a 150 milhões por cinco anos. Não resolve, mas ajuda. Talvez, até, atrair novos parceiros. Quem sabe…. Enquanto se discute, muito, se pagar 12% de comissão ao intermediário foi temerário. Se foi muito ou se tá bom. Sei não…

Na terra de cego, quem tem bengala é rei!

por: José Maria de Aquino

O Fluminense anunciou a contratação de Ronaldinho Gaúcho e grandes amigos, tradicionais tricolores, soltaram foguetes. Juntando sua arte aos gols de Fred, a desejada conquista do Brasileirão, ou mesmo uma vaga na Libertadores de 2016 – que antes era uma espécie de prêmio de consolação, mas vai ficando cada vez mais  motivo para festas  -,parece menos utópica, acreditam. Fred, que de bobo não tem nada, saudou o novo companheiro, classificando-o como gênio. Petit e Renatinho já o enxergam fazendo preciosos lançamentos para colocar o artilheiro toda hora na cara do gol.
A alegria é tão grande, que ninguém parece querer saber quanto o “gênio” vai ganhar. “Não é problema meu, sou só um torcedor”, ouvi. E nem adiantaria tentar, porque nem o presidente Peter Siemsen, que assumiu falando em um único mandato, mas foi ficando, ficando…, nem o vice de finanças, ninguém, saberia dizer. E não é por querer esconder, não. É porque funciona assim mesmo. Tem o salário na carteira de trabalho – pessoa física. Tem o tal direito de imagem – pessoa jurídica – feito para burlar o fisco, com anuência da lei. Tem bonificações etc. Melhor tentar descobrir a Santíssima Trindade que entender contabilidde dos clubes.
Seria ótimo, para o Fluminense, para o campeonato e até para o futebol nacional, se tudo fosse bonitinho assim.  Mas sempre ficará uma dúvida no ar. Ronaldinho foi liberado pelo futebol europeu – diga-se logo que é um dos poucos que retornaram em boas condições físicas, sem os joelhos estourados – no final de 2010, ano em que, embora barrado no Milan, tinha grande prestígio na Fifa e era apresentado como a estrela da Seleção Brasileira para Copa da África. Não foi chamado, mas seu sorriso era encontrado por lá, em enormes cartazes,por todos os cantos.
Com a carreira bem administrada pelo irmão Assis, fez jogo de cena com o Grêmio, foi paquerado pelo Palmeiras e acabou na Gávea, com a presidente Patrícia Amorim afirmando, em entrevista ao programa Camarote PFC, do qual participava ao lado de Jorge Luiz Rodrigues, na Globosat, que seu salário, com registro em carteira, era de apenas 200 mil. Não falou dos “por fora”, nem era preciso…
Como uma andorinha só não faz verão, ainda mais se cansada de longos voos, passou pelo Flamengo e não deixou saudade. No Atlético, para onde seguiu, colaborou na conquista da Libertadores de 2013 – um feito, sem dúvida. O Galo tinha um time bem montado, como tem hoje, quando lidera, sem ele, sem outros “craques”, como Tardelli, o campeonato. Passou uma temporada no time modesto do México, que não se interessou pela renovação e cá está de volta, aos 35 anos (21/3/1980.
Ronaldinho volta, mais uma vez, ao nosso futebol, como voltaram outrs estrelas já sem pernas para correr lá fora. Kaká, por uns meses no ano passado, Ronaldo, um pouco mais atrás, Alex, Robinho (de um certo modo), e, acredite, até Vágner Love. Que Deus me pergoe.
​  É o que há, para o momento. Falando de futebol, “na terra de cego quem tem bengala é rei”.

O MELHOR JEITO DE PEITAR O TÉCNICO

por: José Maria de Aquino 

Aymoré Moreira costumava falar que “quem tem 12 jogadores, tem um inimigo”.  Aymoré queria dizer que aquele que ficava de fora, na reserva, não gostava, reclamava, fazia cara feia. Entre outras tantas situações do gênero, Aymoré viveu uma importantíssima na Copa do Mundo de 62, no Chile, quando substituiu Vicente Feola, campeão emn 58, na Suécia, por problemas médicos. Mauro Ramos de Oliveira, excelente zagueiro, que tinha sido reserva de Bellini no primeiro título ganho pelo Brasil, fez uma exigência:”Agora é minha vez de jogar e ser capitão”. Se não ganhasse o direito, pediria dispensa.
Não pela exigência, mas por suas qualidades como jogador – mais clássico e tão eficiente quanto Bellini – Mauro ganhou a titularidade e, como se esperava, não decepcionou. Ao contrário, disputou excelente Copa e ergueu o troféu, repetindo em Santiago, o gesto de Bellini em Estocolmo.
No final de 1969, quando preparava a Seleção Brasileira para a Copa do ano seguinte, no México, João Saldanha chegou a barrar Pelé. Não se sabe se para fazer experiências, se por convicção ou porque Pelé sofria de milpia, como constaava e consta de sua ficha médica na CBF. Nunca li nem ouvi – e teria de ser do próprio jogador – que Pelé tenha reclamado por ficar no banco. Entendia que a melhor maneira de ser titular, era jogando o que sabia – e como sabia.
Quando substituiu Saldanha no comando, Mário Jorge Lobo Zagallo teria dito que não dava para escalar Pelé e Tostão no mesmo time. Digo “teria”, porque Zagallo depois explicou que era assim, mas não era bem assim. E acabou escalando não apenas Tostão no mesmo time com Pelé, como ainda arranjou um jeitinho de colocar Rivelino. Como Zagallo teria mudado de idéia? Após uma reunião com alguns jogadores, na concentração, em Guanajuato. Aqui não coloco no condicional, porque estava lá, ouvi os detalhes da reunião de um dos participantes e fui, com toda equipe da revista em que trabalhava, proibido de entrar no Parador San Javier – “salvos” depois pelo Brigadeiro Jerônimo Bastos, o chefe da delegação.
Não consta que Tostão tenha exigido seu lugar entre os titulares, nem Rivelino, nem Piazza…Ganharam treinando e com diálogos, dos quais nem participaram. Um que “gritou” e foi escalado numa partida de menor importância, foi Fontana. E só.
As broncas e caras feias ainda acontecem. Agora mais para vestir a amarelinha, o que sempre pode propriciar interesse por um time maior, mais rico do que o que  se está defendendo – seja daqui ou lá de fora. E quando se está para renovar contrato. Preto no branco, garantia de dois, três, até cinco anos, não são raros os que calçam os chinelinhos, por sofrer de caspa nos joelhos ou frieiras entre os dedos dos pés. Ou, mais ainda, os que reclamam de dores, que por serem subjetivas a medicina não pode acusar.
Não tenho tempo nem espaço para pesquisar e relacionar aqui algumas dezenas de peitadas dadas por jogadores em técnicos. Vou colocar apenas três, para exemplificar. A de Neymar, reclamando ao ser substituido pelo técnico do Barcelona, Ganso, quando no Santos, dirigido por Dorival Júnior, negando-se a sair para que um companheiro entrasse. E agora de Michel Bastos, resmungando ao ser sacado pelo técnico Osório, do São Paulo. Neymar foi prontamente enquadrado. Ganso”venceu” o duelo com Júnior, mas por covardia da diretoria santista e não por sua arte, muito mais pobre do que ele pensa ser. Sobre Michel Bastos, que dizem ter se desculpado, resta esperar que ganhe no campo o direito de ser absoluto.
O que os técnicos devem fazer nesses momentos? Contar com ação enérgica da diretoria – o que não se vê acontecer  E de ensinarem aos  jogadores que a melhor e única maneira de peitar o técnico é no campo.

RAZÕES PARA ADMIRAR ZICO

por: José Maria de Aquino

No papo anterior, coloquei que tenho um belo relacionamento com Zico, ao lado de Zizinho o segundo maior jogador brasileiro que vi em ação – o primeiro dispensa apresentação -, e disse que relataria aqui pelo menos um momento especial para justificar a afirmação.
Para a Copa de 86, no México, Telê Santana, querendo aproveitar o máximo o grupo que havia brilhado na anterior, em 82, na Espanha, encantando o mundo mas não levantando o caneco, convocou alguns jogadores importantes, que não estavam no melhor da forma física. Um deles, para mim o mais importante de todos, era Zico, que chegou e foi direto para a sala de recuperação montada na concentração – uma Colônia de férias da Nestlé – distante uns 30 quilômetros da Capital. Tinha a companhia de Falcão, Valdo, Mozer, Cerezzo.
O grupo de jogadores começou a treinar no dia imadiato, mas nada de Zico dar as caras. Uma semana, dez dias, e ele preso aos aparelhos, fazendo fisioterapia para tentar livrar-se dos sérios problemas nos joelhos, até 14 horas por dia. Era preciso saber como ele se sentia, se o sacrifício estava valendo a pena, se teria condiões de jogar o mundial ou se seria um dos dispensados no dia D para a inscrição dos 22 junto à FIFA. Viajaram 24 e dois (Mozer e Cerezzo) seriam dispensados.
Eu chefiava a reportagem da Rede Globo. Ia aos treinos, fazia perguntas, procurava informações das fontes, mas as respostas eram sempre as mesmas:”ele está bem, trabalha muito e estará em condições. Mas não sabemos quando virá treinar”. Era pouco. Fiz uma proposta, que classifiquei como amiga e tentadora, ao sub-chefe da delegação, Nabi Abi Chedid que, como bom político, não dispensava aparecer na televisão, ainda mais na que chamo de Poderosa.
Propus a ele levar Zico à missa das 11 horas, na Igreja de uma cidadezinha situada poucos quilômetros da concentração. Era Dia das Mães no Brasil. Zico assistiria a missa em homenagem às mães e as saudaria em nome de todos os jogadores. Nabi, estaria,  acrescentei, ao lado dele. A reportagem iria para o Fantástico daquele domingo.
Nabi adorou a idéia e ficamos de acertar os detalhes. Dois dias depois, porém, ele me disse que não ia dar. Tinha sido aconselhado por Lucas Neto, assessor de imprensa da seleção. Para comemorar o Dia das Mães de todos, mandaria fazer um bolo, que seria servido aos jornalistas, na sala de reuniões da concentração.
Não era o que eu queria, mas lá fomos nós – eu, o repórter Roberto Thomé e o repórter-cinematográfico Daniel Andrade. O bolo foi pequeno para tantos jornalistas. Telê respondeu a todas as perguntas. Cantaram parabéns para as mães. Quando o bolo acabou e senti que o papo estava se esgotando, pedi ao Thomé e ao Daniel para que se escondessem no banheiro e só saíssem quando eu os chamassem. Depois que os companheiros se mandaram, restaram dois Vital Bataglia, do Jornal da Tarde, e Oldemário Toughinó, do Jornal do Brasil. Experiêntes, matreiros, eles desconfiavam de alguma coisa, mas não sabiam do quê. Enrolaram por ali por mais uns 10 minutos, até que se foram.
Bem no momento em que Thomé e Daniel, cansados de esperar no banheiro, iam deixar o esconderijo. Era chegado o momento de adiantar a torre. Ou será a rainha? Sou cego em xadrez. Pedi ao Nabi para que chamasse o Zico. Lucas Neto, cumprindo bem sua missão, disse não. Chama, não chama. Traz, não traz…. Movimentei mais uma peça:”Perguntem a ele se quer enviar saudação às Mães. Se ele disser sim, vocês o trazem. Se disser não, iremos embora”.
Zico disse sim. Veio e colocou-se à nossa disposição. Daniel, flamenguista roxo e amigo de Zico, filmava apenas o rosto do Galinho. Thomé, naturalmente receoso, esperando o melhor momento, dava voltas com as perguntas – deixando-me aflito. Até que Zico, sábio, os deixou à vontade:
“Por quê você não mostra meus joelhos, Daniel? E por quê você não pergunta logo sobre eles, Thomé?” Assim foi feito. Minutos depois a reportagem estava sendo gerada para o Rio, do caminhão colocado ao lado da concentração. Fantástico no ar e bonca para cima de mim, tentando transferir a comida que tinham levado daqui. Respondendo, indaguei aos concorrentes a razão para tanta pressa no domingo. Por que se mandaram após saborear um pedacinho de bolo. Preguiçosos A bronca, coloquei, devia ser dirigida a quem nos permitiu

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((O que aconteceu depois, conto qualquer dia))

Futebol. Um jogo com cartas marcadas?

por: José Maria de Aquino

A Argentina sapecou um 6 a 1 pra cima do Paraguai, aquele mesmo que desclassificou o Brasil nas quartas-de-final da Copa América, que está sendo jogada no Chile. E logo alguns amigos, brincando, naturalmente, gritaram “obrigado paraguaios, por nos pouparem de vergonha maior. Brincadeira, repito, porque  a Argentina não é lá nenhuma Alemanha – que nos surrou por 7 a 1 na Copa do ano passado, que os incautos davam como favas contadas. Assim como nosso futebol está muito longe de ser o melhor do mundo, de fazer lembrar os times dos Mundiais de de 58, de 70 e de 82, embora deste, Zico e cia não tenham trazido mais um caneco para a coleção.
Por falar em Zico, ao lado de Zizinho os dois maiores jogadores brasileiros que vi em ação, logo atrás de Pelé, o Galinho de Quintino deitou bronca para cima da seleção de Dunga, classificando esta geração como a pior que já surgiu nessa Terra de Santa Cruz. Com toda propiedade, Zico disse que da turma salva apenas um – naturalmente Neymar – ou talvez dois. Exatamente como analisei na coluna anterior, ao mostrar que estão tratando os males do futebol brasileiro com xarope, quando o caso é de cirurgia. Começando lá de cima, do alto comando, dos que, faz tempo, assumiram a contabilidade da CBF, estabelecendo seus altíssimos salários, mais totais mordomias  – como se presidissem uma complicada multinacional -, sem ninguém por perto para dar um basta – até as divisões de base. Bem, agora até ao futebol feminino, cujo novo comandante, também regiamente pago, imagina alavancá-lo mudando os uniformes das garotas para algo mais sexi etc.
Não passa por minha cabeça que Zico tenha feito os comentários após ler o que escrevi. Não, ainda. Embora tenhamos um ótimo relacionamento – que mostrarei, com um dos exemplos, logo, logo.
Zico disse o que todos podem ver, inocentes, interessados e pachecões à parte. Não temos jogdores de alto nível, nem aqui, nem atuando lá fora. Aponte dois que sejam unanimidade em times de ponta na Europa – Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e até França. Um único, além de Neymar, que poderá se perder pelo caminho, caso continuem permitindo que suas asas cresçam além do limite ideal. Prova disso, é que o presidente da CBF, botando sua colher no mingau ralo, pensa pedir ao Dunga para efetivar Robinho – a caminho da China, bem longe da Europa, e Kaká. Se continuar nesse ritmo, Rivaldo, Ronaldo e outros já barrigudos, pensarão…
Zico foi mais longe, falou em “máfia” envolvendo pessoas da Comissão Técnica, porque convocam jogadores limitados pela natureza, dando a eles “status” de craques – para o mundo, pelo menos até pouco tempo – quem vestia a amarelinha era craque. Pode ser por aí. Em alguns países, como a Inglaterra, a Federação exige que o estrangeiro tenha disputado “x” número de jogos por sua seleção, para ser contratado por um time local. Como disse, pode haver essa intenção, o que seria (ou é) lamentável.  Mas, da outra banda, não consigo ver outros  jogadores em melhores condições. Como tenho dificuldades para imaginar que os gringos sejam tão inocentes assim, tão bobos, para contratar esses “bondes”, pagando a eles e por eles o que consideramos aqui, nesse conturbado terceiro mundo, verdadeiras fortunas. Um caminhão de euros ou dólares.
Será que são? Será que os bilionários russos, árabes, agora chineses são mesmo uns tontos que desembolsam uma grana preta só porque enviaram a eles imagens de mulatinhos rosados envergando vistosas e tradicionais – até quando? – camisas amarelas. Ou tudo não passa de um mega campeonato de cartas marcadas?