FUTEBOL BRASILEIRO, CASO PARA CIRURGIA

por: José Maria de Aquino

O mundo, refiro-me ao da bola, parece ter caído com a derrota da Seleção Brasileira para a paraguaia, nas quartas-de-final da Copa América, que está sendo jogada no Chile. Não digo que para todos, felizmente, já que sou avesso a exageros, mais ainda à unanimidade – classificada de burra por Nélson Rodrigues. E sim para uma boa quantidade de apaixonados, distraídos e os eternos pachecões.
Mas, como pode cair algo que já está no chão? Faz tempo, não é de agora que o futebol brasileiro anda caído, entregue. Esse tempo vai além do vexame na Copa do ano passado ao perdermos –  é triste essa segunda pessoa no plural – de goleada para a Alemanha (7 a 1), com direito a repeteco de vexame diante da Holanda. Passa pela  desclassificação no Mundial da África do Sul, em 2010. E, sem forçar a barra, chega tranquilamente ao nada de 2006, na Alemanha.
Todas as explicações, todas as desculpas para buscar uma justificativa são infantis. Hoje querem a cabeça do Dunga, tão dura e limitada quanto à do Felipão, cortada após o pesadelo de 2014, que os inocentes queriam fosse um novo sonho como o de 2002. Somado à ilusão de que, sendo disputada aqui, as favas estavam contadas. Viveríamos a festa que nossos pais e avós não puderam viver em 1950. “Tá tudo armado, Zé Maria”, cansei de ouvir, como se o futebol fosse uma podridão só. É, mas tem de ser compartilhada. A Alemanha não ganhou em sua casa, lembram-se?. A Rússia não vai ganhar em 2018 – sim, a Copa será lá.
Vejam os jogadores que Felipão tinha à sua disposição em 2002 e os que tinha ano passado. É isso, faltam jogadores. Craques de fato, de direito e não de papel. Pelo menos quatro ou cinco, respeitados pelos concorrentes fortes e temidos pelos mais fracos. Em quem, além de Neymar, que estão estragando com tanto mimo, o torcedor – pachecões à parte – pode fechar os olhos e confiar? Cite três. Ou mesmo um.
Reclamam que a Comissão Técnica convoca jogadores desconhecidos – portanto limitados – que atuam no futebol de terceira categoria, com o intuito de colocá-los na vitrine, facilitando suas transferências
. para o de primeira. Nas linhas e nas entrelinhas deixam claro que os agentes mandam e desmandam, agraciando os que os servem.
Ok, digamos que sim. Mas, quando se pergunta por nomes, resmungam. Ou falam de jogadores com tempo de validade vencido Kaká, Ronaldinho…Quem? Pato? Luiz Fabiano? Robinho? Fred? Jogadores que foram lá para fora e não aguentaram o tranco, voltando? Percebam que os melhores atacantes atuando por aqui falam espanhol. E só estão aqui porque não têm vaga na Europa….
Claro que Dunga não sabe nada.  Luxemburgo está superado. Aí gritam por Mourinho e Guardiola, como se eles pudessem fazer milagres. Esquecidos de que treinam verdadeiras seleções mundiais.
O problema do futebol brasileiro não está só nos jogdores, na falta de técnicos, claro. Está na sua estrutura. Na CBF, que arrecada milhões e divide boa parte em salários e mordonias com um grupo de dirigentes que…E até no governo, que tem medo – sabe lá Deus a razão – de cobrar dos clubes os bilhões de reais desviados ou mal gastos em salários que as receitas não suportam pagar. Está no entendimento dos cartolas de que “quanto pior, melhor para boas negociatas”  É de cima para baixo e de baixo para cima.
É um caso para cirurgia, que insistem em tratar com xaropes

OS CRAQUES!

por: José Maria de Aquino

Não, não quero compará-los. Nem nos gramados, nem fora deles. Longe de mim. Até porque, são três craques, jogadores maravilhosos, cada um em seu tempo. Garrincha, os “mais experientes” na certa se lembram, e os mais jovens têm a obrigação de saber, buscando em jornais, revistas, vídeos, foi precioso na conquista do primeiro título mundial pelo Brasil, em 1958, na Suécia, barrando o candidato a titular, Joel, do Flamengo, com sua ginga, suas fintas que “quebravam” as cadeiras dos marcadores, e alucinando as loiras locais com sua “lábia”, mesmo não falando uma única palavra em sueco, inglês, francês…..(rrss). Mané, vale lembrar, deixou um filho por lá, que pelo menos herdou dele as pernas tortas. E foi decisivo para o bis, no mundial do Chile, em 1962.
Sem Pelé, que já ostentava a coroa de Rei do Futebol, recebida, com todos os méritos, dos maravilhados franceses, contundido e substituido por Amarildo, Mané assumiu o trono, tomou para ele a responsabilidade de ditar o ritmo da festa e de sobra foi um dos artilheiros da Copa, com quatro gols.
Sua importância para o time comandado por Aimoré Moreyra era tão grande, que o comando da delegação, Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, à frente, fez o possível, o impossível e até o que se pode classificar de “desonesto”, para colocá-lo em campo na grande final contra a Tchecoslováquia, vencida por 3 a 1. Garrincha tinha sido expulso de campo na semifinal, após agredir o chileno Eladio Rojas, e devia ser suspenso. Pois bem, a súmula do jogo, apitado por  Arturo Yamazaki, desapareceu. E o bandeirinha Esteban Marino, testemunha da agressão, “precisou” viajar urgente para o Uruguai, sua terra, faltando ao julgamento.
Uma das estrelas do time brasileiro na Copa de 1970, no México, quando seria ganho o tri, Tostão tinha um sério problema em uma das vistas, causado pelo deslocamento da retina, atingida pela bola rebatida por Ditão, num jogo Cruzeiro x Corinthians, em 1969, no Pacaembu. Por bom tempo, havia dúvida se Tostão poderia disputar o Mundial, sendo cercado de todos os cuidados. Durante os treinamentos em Guanajuato, ele foi examinado pelo médico Abdala Moura, mineiro residente em Houston, no Texas, EUA.  A vista estava bastante inflamada e Antonio do Passos, diretor de futebol da CBF, zeloso, pediu para que os jornalistas não fizessem perguntas a ele sobre a vista e para que não fosse fotografado de perto.  Tempo perdido. A primeira coisa que Tostão fez ao encontrar-se com os jornalistas, foi falar sobre o exame, o vermelhão e sua disposição de jogar. Puxava a fila nos treinamentos físicos o que, alertado pelo Hedyl Vale Jr., serviu de base para o chefe da delegação, Brigadeiro Jerônimo Bastos, pegar as orelhas dos “negões de bunda grande”, que fechavam a fila. Ele disse, numa das reuniões com os jogadores, que os mandaria de volta, se continuassem sentindo o traseiro pesado demais. Tostão superou todos os problemas, foi, por muitos, como eu, considerado o melhor jogador do Mundial e marcou dois gols.
Hoje, num momento de  pobreza do nosso futebol, tudo parece infinitamente diferente. O técnico Dunga sobregarrega o jovem Neymar, 23, único grande jogador, craque de fato, dando a ele a missão de ser o capitão do grupo, além de ser a salvação da lavoura, isto é, aquele em quem todos jogam a bola quando a situação fica preta. Ao invés de protegê-lo o joga às feras. O enfia nas encrencas de uma partida. E quando ele passa do limite, por achar-sem consciente ou inconscientemente, o responsável por tudo, já que “é a grande estrela”, não brigam para tê-lo no time. Não recorrem de uma punição – o que passa a idéia de a acharem justa Ajudam a transformá-lo no único capaz de levar a seleção à vitória e logo o deixam ir. Novas formas de agir como fizeram Paulo Machado de Carvalho e Jerônimo Bastos? Quem tem a resposta?

COPA DE 70, A MAIOR FESTA QUE JÁ VIVI!

por: José Maria de Aquino

Nesta data, há 45 anos, vivi a maior emoção que jamais imaginei poderia viver como profissional e como torcedor. Sim, como profissional enquanto a bola rolava na grande final da Copa do Mundo de 1970, em que o Brasil goleou a Itália por 4 a 1, no estádio Azteca, Cidade do México. E depois,- missão cumprida de escrever a reportagem para a revista Placar e enviá-la lá mesmo do estádio -, como torcedor. Envolvendo-me e deixando-me envolver com os fanáticos mexicanos, que desde o primeiro momento, sabedores de que sua seleção não tinha a menor chance de disputar o título, vestiu a amarelinha e engrossou o grito Brasil, Brasil…
Era minha primeira Copa na linha de frente. Tinha trabalhado no Mundial de 1966, disputado na Inglaterra, mas na retaguarda do Jornal da Tarde. Sem chance de vibrar, de torcer, porque o time dirigido por Vicente Feola deu vexame. Foi desclassificado ainda na primeira fase. Agora não, num 21 de junho como o de hoje, eu estava na linha de frente, acompanhando o grupo comandado por Zagallo desde a primeira fase da preparação, em Guanajuato, capital de Guanajuato, depois em Guadalajara, capital de Jalisco. E, por fim, na grande decisão na Cidade do México.
O belo estádio Azteca estava tomado, não havia lugar para uma única borboleta de asas fechadas. O Brasil tinha chegado à decisão depois de vencer, de virada, o Uruguai, por 3 a 1, em Guadalajara. Uma partida difícil, nervosa, catimbada com a ajuda, fora do gramado, dos jornais mexicanos que na véspera indagavam, em suas manchetes, se haveria novo “Maracanazo”, referindo-se à derrota, por 2 a 1, na final da Copa de 1950. O comando da nossa seleção discutiu se devia ou não esconder os jornais dos jogadores, decidindo por, não apenas permitir, como espalhr vários exemplares pela concentração da Suites Caribe. Prevaleceu a idéia de que aquele grupo nada tinha a ver com a derrota de 50. Alguns jogadores, como Edu, nem mesmo haviam nascido. As palestras foram nesse sentido – e resultaram bem. A Itália chegara à final depois de uma dura batalha contra a Alemanha, vencendo por 4 a 3, na prorrogação. O tempo normal marcou 1 a 1.
A seleção italiana estava, assim, mais cansada que a brasileira, o que dava a Pelé, Tostão e cia certo favoritismo, confirmado sem grandes traumas.
Final do jogo, a torcida invadiu o gramado, jogadores foram carregados nos ombros por enclouecidos mexicanos e praticamente despidos por eles. A maioria chegou aos vestiários usando apenas a sunga. Enquanto registrava a festa, escrevia a reportagem e esperava que chegasse bem na redação da Marginal Tietê, ainda tive tempo de, a todo vapor, escrever a coluna que Aimoré Moreita, técnico bicampeão em 62, no Chile, e consultor da Placar, assinava em um jornal do México.
Fim do jogo, trabalho realizado, coração a mil, era hora de voltgarmos ao hotel Stela Maris, onde nossa equipe se hospedava. Chegamos, e o coordenador da turma, Woile Guimarães, deu a ordem: “Michel, Hedyl,Zé Maria, cada um escreve tudo que sabe, viu, guardou, sentiu nesses dias todos (71). Um grupo para cada um Vamos escrever o livro da Copa”. Woile tinha providenciado tudo. Sanduiches, águas, cervejas, até uma garrafa de uisque. Michel e Hedyl pegaram as laudas e foram para as máquinas, Eu não podia fazer o mesmo. Não tinha condições emocionais. Minha cabeça não estava ali, estava nas avenidas, onde os torcedores cantavam, gritavam, “sambavam”, subiam e destruiam monumentos, quebravam vitrines de lonas, tiravam a rouba, ficando só de cueca, e mergulhavam na fontes luminosas. Era uma loucura absoluta. E eu tinha de fazer parte dela – dentro dos limites naturais.
Indaguei ao Woile se o projeto do livro já estava definido. Ainda não estava. Perguntei sobre o prazo para entregar minha parte. Dois dias, assim que chegássemos de volta. Pedi a ele licença para, naquela noite, ser apenas torcedor. Sair pelas ruas, festejar, tomar umas cervejinhas. Não era uma desobediência, era a necessidade de sair  sem rumo, deixar a adrenalina baixar. Eu prometia entregar meu trabalho dentro do prazo – o que fiz
​O livro ficou na idéia. Um sonho. E eu não me perdoaria se tivesse perdido a maior festa que vivi em toda minha vida – como profissional e como torcedor. Lembro-me de ter dido, na época, algo assim:”eu adoraria  ser rico, para nunca mais ir a um estádio de futebol. Nada será melhor, nem mesmo igual”.

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PAULISTA, CAMPEÃO DA COPA BRASIL 2005

por: José Maria de Aquino

Eu poderia falar, ainda, das maracutaias envolvendo cartolas ligados à FIFA e, no geral, ao mundo da bola – da bola que rola e da que embolsam -, ou da derrota (1 a 0) sofrida pela Seleção Brasileira diante da Colômbia, pela Copa América, que tirou o sono os Pachecões – aqueles que não dispensam a camisa amarela nessas oportunidades, mas vou deixar para nossos novos encontros. Serão muitos, assim espero, nesse espaço. Contando com a atenção e as críticas – no sentido amplo – dos novos amigos.
Nesse primeiro encontro, quero falar de algo que considero mais importante que os demais, por envolver nossa cidade, a região, o esporte. Falar de uma conquista que, acredito, ainda enche de orgulho os torcedores do Paulista. A conquista da Copa do Brasil em 2005. Jogos memoráveis. Momentos de angústia, de medo, de superação, gravados na memória e no coração dos que testemunharam cada lance, cada gol, estando do lado de fora, no Jaime Cintra ou no Beira-Rio, no Maracanã…E, mais ainda, daqueles heróis comandados por Vágner Mancini, excelente técnico, um amigo. Cuidadoso, detalhista, e com a ajuda do registrado pelos jornais da cidade, Mancini escreveu um livro, do qual participei. Um livro para ler, guardar e mostrar para filhos e netos. Um livro que faria riviver toda a epopéia a cada nova leitura. Prontinho, e guardado, porque, escrito, acabou não sendo editado. Não sei e não importam os motivos. Mas sei que foi uma pena. Nossa cidade perdeu um pouco de sua importante história. Quem sabe se um dia…

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QUEM SOU EU

por: José Maria de Aquino

Fiz Direito na PUC-SP e acabei atraído pelas “pretinhas” quando foi fundado o Jornal da Tarde, nos fins de 1965. O primeiro número foi para as bancas em 4 de janeiro de 1966. Fiquei até fins de 69, ganhando, nesse período, dois prêmios da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, como melhor reportagem escrita no ano Em 69, ganhei o Premio Esso de Jornalismo – Esporte, juntamente com Michel Laurence, com uma série de reportagens sob título: Jogador, um escravo” Nesse tempo, fui também responsável pela pauta do esporte do Estadão. No início de 1970 fui convidado para fundação da revista Placar, Editora Abril, onde trabalhei até 1982. Na revista, cobri as Copas de 70, no México e 78, na Argentina, as Olimpíadas de 76, no Canadá e 80, na então União Soviética. Além de acompanhar a Seleção Brasileira em torneios nos Estados Unidos, Austrália, excursões pela Europa e etapas da Fórmula1. Em quatro concursos, ganhei dois prêmios Abril, como melhor trabalho na área de esportes, mais duas menções honrosas. Em 82, fui convidado pela Rede Globo para comentar a Copa da Espanha, e voltei ao Estadão. No ano seguinte, fui contratado pela Rede Globo para chefiar a reportagem do esporte em São Paulo, e logo em seguida como chefe da redação – continuando como comentarista. Na Globo, chefiei a reportagem na Olimpíada de Los Angeles-84 e o Mundial do México-86. Rm 06 passei a ser consultor da Sportv e debatedor no Programa Arena. Em 2006 fui integrar o projeto na TV-Terra, comentando o Mundial de 2010 na África do Sul.. Em seguida passei a participar do Programa Camarote da Globossat.

 

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