EXISTEM OS SAFADOS, MAS NÃO SÃO TODOS. NEM SEMPRE

por: José Maria de Aquino

  Nos tempos da antiga Tv.Tupi, hoje SBT, bem lá atrás, meu irmão Paulo, jornalista como eu, e muito melhor, bolou, dirigiu e apresentou um programa entitulado “Na bola ou na bala”. Era uma entrevista cara a cara, frente a frente. O entrevistado de um lado da pequena mesa e ele do outro. Nada mais que 40 centímetros de distância. As perguntas eram duras e diretas. Sem rodeios. O primeiro entrevistado foi João Etzel Filho, famoso árbitro, centro de muitas polêmicas e missões – entre elas,a de conversar com o árbitro russo…da final da Copa de 1962, e com o uruguaio Estaban Marino, bandeirinha da partida semifinal, em que Garrincha foi expulso e não teria como disputar o título, se Marino depusesse.Todos sabem que ele viajou às pressas, “por problemas particulares”, para Montevidéu.
A primeira pergunta foi “você é um árbitro ladrão? Arruma resultados?”. A resposta foi -“não sou ladrão e arrumo resultados”. João Etzel, hungaro naturalizado brasileiro, morador do Ipiranga, corretor de imóveis no Guarujá, explicou que arrumava resultados para atender cartolas amigos, sem nada receber. Talvez uma gravata de presente… Diziam que quando dois cartolas amigos faziam o mesmo pedido, ele solicitava tempo param decidir e informava a qual amigo iria atender, tirando do bolso, no momento do “toss”, um lenço. A cor do lenço indicava o provável vencedor.
Quem nunca ouviu falar da “melancia recheada”, recebida de presente por um competente árbitro, morador fora da Capital, que o auxiliar, botado para trás, fingiu não saber da trama e jogou o fruto pela janela do trem?” E da caixa de sapatos, também recheada, entregue em um apartamento do Itaim? E do telefonema gravado, em que o presidente de um grande time terminava dizendo “um, zero, zero”? E do processo batizado de máfia do apito, que acabou anulando um monte de jogos, dando chance ao Corinthians, que estava fora do pareo, terminar campeão brasileiro?
São muitas as histórias sobre arbitragens mandrakes que tenho ouvido diretamente ou por terceiros, nessa estrada da vida…São muitas, mas não acredito – tenho um coração desse tamanho – que somem, digamos, 10% dos jogos…
E  não foi por isso que, quando no comando do esporte da Poderosa, em São Paulo, pedi aos editores – de imagem e de texto – que selecionassem todos os lances com mancadas dos árbitros na rodada e montassem um vt que batizei de “Pisando na bola”. A ilustração, feita às pressas pelo Maurinho, editor de arte, era mesmo um pé pisando uma bola, que furava e ficava murcha.
A idéia surgiu porque, nas terças-feiras o material para um Globo Esportes (cerca de 16 minutos)era escasso. Um quebra-galho que agradou e foi efetivado. A orientação, era para que só escolhessem lances realmente importantes para o resultado da partida – impedimento claro que resultou em gol, e não de um pezinho na frente, pênalti sem dúvida…- e mesmo assim, muitas vezes, na ilha de edição, editores quebravam o maior pau…
Os vts, montados às terças e quintas, quando havia rodada na quarta, deixavam os árbitros tão apavorados, que alguns, antigos e famosos, amigos da direção, pediam para que acabassem. Nada feito.
Hoje sinto um certo remorso. Sei, porque ouvido de quem esteve lá, que existem maracutaias, mas não numa proporção tão grande quanto falam. É menos, muito menos. Coloque-se no lugar deles e, com cuidado quando há, quando não e quando é mesmo só ruindado, agravada pelas pressões…

 

PORQUE GOSTEI DO JOGO PALMEIRAS-CORINTHIANS

por: José Maria de Aquino

 Você na certa não era nascido no dia 27 de junho de 1954,  quando a Seleção Brasileira deu um vexame só superado pela derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã, e pelos 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão, no Mundial do ano passado.    Foi na derrota para a Hungria, por 4 a 2, com direito a baile pelos húngaros e baixarias pelos brasileiros. Mas isso só ficamos sabendo  bem depois, quando chegaram por aqui as imagens mostrando a superioridade dos magiares e a chuteirada dada pelo técnico Zezé Moreira em adversário.
Até então, o que os torcedores brasileiros sabiam, era que o árbitro inglês, Arthur Ellis, chamado por Mister Ellis, tinha roubado de forma escandalosa nosso time – que ainda não era chamado de canarinho. Um ladrão de marca maior, assim apresentado pelos locutores brasileiros presentes ao Wankdorf Stadium, em Berna, Suiça.
Bons tempos aqueles em que os locutores e comentaristas – repórter de campo veio depois, e limitava-se à sua função de informar, sem comentar, sem dar palpites – eram os olhos dos ouvintes, que colavam as orelhas nos rádios a válvulas, chamados de rabo quente.  Assim foi por bom tempo….
Até que, no início da década de 50, chegou por aqui a televisão. A imagem trazida de longe, cada vez mais longe. Como podia? Algo tão fantástico, que levava a gente a “olhar atrás do aparelho para ver o hominho escondido”. Os jogos eram narrados ao vivo ou em teipe, quando os mais apaixonados evitavam saber antes o resultado, para curtir a emoção (quase) por completo. Raul Tabajara, Geraldo José de Almeida, Aurélio Campos, os bambas da época, se limitavam a contar o que o espectador estava vendo. Os comentaristas se limitavam ao jogo, à bola rolando.  Flávio Iazetti, primeiro comentarista de arbitragem – era professor na escola para árbitros – não brigava com a imagem. Também ainda não existia o replay – que hoje o Arnaldo e outros precisam ver dez vezes antes de dar seu palpite. Às vezes errado.
Hoje o jogo é mero pretesto para que todos derrubem suas catilinárias, falem do jogo que está rolando e de outros que já se foram – sem terem imagem do que falam, para não endoidecer o espectador. Mudam facilmente a forma dos times jogar, “viram resultados num estalar de dedos”, trocam jogadores, às vezes por algum que nem está no banco. São críticos de moda, de costumes, analístas políticos. “Sabem” e falam de tudo.  E (não) escutam (nem) o que os espectadores (e aí também os que ouvem pelo rádio), falam e escrevem sobre eles. Ainda bem…Liberdade, liberdade…
Boa parte da culpa pelo amontoado, é verdade, cabe à má qualidade dos jogos. Explica mas não justifica. Por isso, é bom quando,  -aleluia, aleluia -, acontece um belo jogo como foi Palmeiras 3 x 3 Corinthians, para que, pelo menos a maior parte do tempo seja gasta em (merecidos) elogios e não em críticas exageras e fora do contexto,

QUE TIME É ESSE? E COMO SERÁ AMANHÂ?

por: José Maria de Aquino

  Você gosta de futebol? Gosta mesmo? Você torce para a seleção? Torce mesmo? Você torce mais para a seleção do que para seu time ou o inverso? Você acha que a seleção deu vexame quando goleada por 7 a 1 pela Alemanha, na Copa de 2014? Sentiu vergonha? Sentiu mesmo ou acha que os jogadores e Felipão é que deveriam ficar envergonhados? Quem sabe se eles e os cartolas da CBF? Você guardou sua camisa amarela para vesti-la durante a Copa de 2018, que será jogada na Rússia? Vai usá-la ou vai torcer para que tudo exploda logo, e ver se assim dão um jeito nas mazelas que entravam nosso futebol?
Pense do jeito que pensar, você está ligado que a Seleção Brasileira comandada por Dunga joga amanhã contra a Costa Rica e dia 8 contra os Estados Unidos, ambas na Terra de Tio Sam? Se ligadão, sabe repetir a escalação para a primeira partida? Sabe quantos jogadores foram trocados com relação à Copa América, perdida outro dia mesmo? Lembra-se dos que tinham ficado de fora e voltaram? Acha que Kaká, 36, um deles, terá condições para 2018? Confia no goleiro Jefrferson? Vê qualidades no lateral Douglas Santos, do Atlético Mineiro? Pensa que o meia Lucas Lima, do Santos, pintará como sensação para a Rússia?
O que eu acho? Não sei. Fico na expectativa para as eliminatórias, que começarão em outubro com jogos diante do Chile, em Santiago, e Venezuela, em Fortaleza. Novembro o time vai a Buenos Aires pegar a Argentina e terá o Peru, em Salvador. A CBF repete a idéia de levar jogos para o nordeste, fugindo das eventuais vaias no Rio, em São Paulo e  Belo Horizonte.
São jogos para que o time dê uma engrenada e garanta vaga na Copa, sem precisar de alguma ajudazinha. Falarão muito em” Neymar dependência”, infelizmente uma verdade, mas é bom torcer para que não seja tão grande assim. Se o Brasil se classificará? Melhor que sim, ou feche logo para balanço. A única certeza que tenho, é de que o time, indo à Rússia, estará melhor do que esteve no mundial bancado aqui. Não, nada a ver com a goleada. É que, disputando as eliminatórias, terá chance de formar um grupo, montar um time, encontrar caminhos – o que não aconteceu no ano passado, por não ter ganho a vaga no campo, mas por patricionar a competição. Faz uma diferença enorme….

SE EU FOSSE O MANDA-CHUVA DA CBF….

por: José Maria de Aquino 

Se eu fosse o comandante da CBF, faria coisas maravilhosas para mostrar como deve ser o futebol profissional – coisa que os puritanos, sei bem, condenariam, gritariam, pediriam minha cabeça, exigiriam uma CPI. Coisas maravilhosas para dar uma força no caixa dos clubes, prestigiar torcidas apaixonadas, que lotam os estádios. Coisas que digo faria porque não sou manda-chuva, porque se fosse, não as faria. Entendam-me bem…
Pra começar, sempre teria um time do Pará na série A – nada a ver com o esquema ARENA, lá se vão mais de 30 anos. Nada daquela aberração: “onde a ARENA vai mal, um time no Nacional; onde a ARENA vai bem, um time também” . E chegaram, se a memória não me trai, a 94. Com apoio, dá pra lembrar, de órgãos importantes no mundo da bola, pelo menos na época.
A farra era tamanha que, chamado a escrever um texto, nele reivindiquei uma vaga para o Miracemense – ou uma seleção local. Afinal, Miracema, a santa terrinha, tinha três estádios nas mesmas condições que muitos dos usados, talvez melhores: o da rua da Lage, o Irmãos Moreira, homenagem a Airton, Aymoré e Zezé, conterrâneos. E o construido pelo deputado Linhares, no alto do Cruzeiro, como capacidade para, garantiram, cerca de 20 mil torcedores. A Princesinha do Noroeste Fluminense tem 26.491 habitantes. Além do Pará, pelo menos um time do Ceará, outro da Bahia de Todos os Santos.
Hoje, por exemplo, o “sorteio” para essa nova fase da Copa do Brasil, garantiria, com toda pompa, moças bonitas tirando as bolinhas, televisão transmitindo ao vivo, se possível também para o Exterior, esses jogos: Grêmio x Internacional; Fluminense x Vasco; São Paulo x Palmeiras e Santos x Figueirense. O campeão ganharia como prêmio representar o Brasil em dois desses fabulosos amistosos contra Costa Rica, China etc, embolsando a renda bruta de um deles.
Como faria um sorteio assim tão dirigido diante da mídia, de torcedores, do mundo? Simples, e nada de bolinha gelada, como nos tempos de João Mendonça Falcão, nas décadas de 50/60, quando fazia a seleção paulista jogar sempre a segunda em casa, contra a carioca, pelo belo Campeonato Brasileiro de seleções – que devia ser recuperado.
Bolinha gelada é manjada Faria bolinhas com a primeira letra de cada time, em baixo e suave relevo. E orientaria as moças….
​  Pecado de coroinha, perto do que fazem por aí e que até o diabo duvida…

CATANDO MOEDINHAS E QUEBRANDO COFRINHOS

por: José Maria de Aquino

​Sabe quando a situação aperta e você cata moedinhas nos bolsos, no fundo da gaveta e, no desespero, até quebra o cofrinho do filho, prometendo devolver a ele a pequena poupança que faz pensando naquele autorama? Pois é assim que alguns clubes brasileiros vivem no momento – o que, diga-se logo, nada tem a ver com as burradas – para não escrever palavrão – feitas pelo governo com suas pedaladas, com um amontoado de ministérios, com cartões que usam sem necessidade de comprovação etc
A crise financeira que atola os clubes brasileiros não são de agora, são de muito tempo, e só crescem mais do que bolo bem batido, porque os cartolas não são vigiados pelos conselhos, não são apanhados pelas autoridades por descumprirem a lei Pelé, e, fim da picada, ainda são bajulados pelo governo, que anda fazendo de tudo para aliviar a dívida de quase 5 bilhões que têm com o fisco. Só não o tendo feito até agora, porque a população está de olho em tudo.
O senador Romário, fazendo a parte dele, depois de conseguir emplacar a CPI da CBF – ou será do futebol? – pediu a quebra do sigilo bancário da CBF e de pessoas que com ela negociam , do comandante maior, além da apresentação dos contratos milionários que sustentam seu luxo, que garantem salários astronômicos em vários níveis etc.
Pedido aprovado, presidente da entidade luta para não abrir o jogo. Recorreu ao STF que, esperamos todos, deve negar o recurso, se possível dizendo que tem coisas mais importantes para decidir – como mandar para a cadeia todo político comprovadamente corrupto.
Se nada tem a esconder, por quê não ir lá e mostrar tudinho? Aliás, como fez Romário, quando acusado de ter conta em banco suiço, não declarada ao Imposto de Renda. Quem não deve, diz o adágio, não teme.
Na mesma linha de raciocínio, vale indagar se o mesmo não deveria fazer – para seus associados – a diretoria do São Paulo, do Corinthians, do Santos, clubes atolados em dívidas, embora tenham, ao longo desses anos, arrecadado muito. Por que o São Paulo deve quase 300 milhões? Como chegou a essa situação? Por que o Corinthians não depositou – como já foi dito – os impostos devidos? Por que pagou – sempre com base no que antigos diretores disseram – tão caro por Pato? E como um clube que tem Neymar, para não falar de outros, o deixa ir embora e praticamente nada embolsa?
​  Perceberam que dos ditos quatro grandes de São Paulo, não falei do Palmeiras. E que, dizem, suas dívidas – tirando as antigas, que o governo se esforça…- as outras foram cobertas por seu apaixonado presidente. Não deve aos bancos, mas deve a ele. Faz diferença? Talvez a taxa dos juros. É o que tem a melhor arena, lotada em todos os jogos, a preços salgados, mas, nem por isso se pode dizer sossegado..
A construtora da arena, dizendo-se também apertada financeiramente, pensa vendê-la e diz ter comprador. Não sei o que está no contrato, mas é para preocupar. E a arena do Corinthians?
Faz tempo que o futebol deixou de ser um esporte administrado por apaixonados torcedores de seus clubes. Faz tempo que se tornou um grande e não bem esclarecido negócio.

LOGO, LOGO VAI VOLTAR O PAPO FURADO DO MATA-MATA

por: José Maria de Aquino

Contam que para colocar a revista nas bancas poucas horas após o fim da folia do carnaval, os títulos e as legendas das fotos picantes da edição da “Fatos e Fotos’, eram escritas antes. E dizem que até mesmo algumas fotos eram de outros carnavais.   Assim acontecia, também, com a sangrenta, às vezes divertida, Notícias Populares.
Mas não era só nos carnavais que títulos e manchetes eram boladas antes e repetidas anos seguidos. Na Semana Santa, lá vinha a “Vai faltar preixe”. E no finados, lá estava, “Preço das flores está por hora da morte”.
No futebol a mesmice não perde de goleada. Calma, não vou falar “do apito amigo do Timão”, que, andam dizendo, este ano está mais atuante que radar nas avenidas e marronzinhos nas esquinas. Falo da velha cantiga dos pontos corridos nos Brasileiros ou dos tal mata-mata, que surge sempre que um time dispara ou ameaça disparar na liderança, passando a sensação de que não mais será alcançado.
Ideal para uns, ruim para outros, jogo no time da segunda observação. O Brasileirão – por que será que o trato no aumentativo? – está apenas na 20a rodada e muita coisa poderia mudar nas 18 que restam. Poderia, mas me parece difícil. O Corinthians  lidera tranquilo (43), dez a mais que o Fluminense, quarto, seis na frente do Grêmio, terceiro, e quatro do Atlético-MG, vice.
Grêmio, Fluminense e os que vêm a seguir – Palmeiras e São Paulo, ambos com31 – não me parecem ter fôlego para alcançar o Timão. O Grêmio pelo noviciado. E os demais pela irregularidade. Resta o Galo.
Mais três, quatro rodadas com o Corinthians mantendo ou aumentando a distância – o que não é improvável – , as viuvas do mata-mata voltarão à choradeira. Ao papo de que “dá mais emoção, mantêm o interesse da torcida até o fim, proporciona maiores arrecadações”…Ainda que fosse verdade, e não é, esquecem o ponto fundamental de uma competição: o de que deve vencer o melhor. O melhor em toda a competição e não em um pedacinho dela.
Jogasse hoje um mata-mata entre os quatro primeiros, com o Fluminense (33) eliminando no final o Corinthians (43), e os fieis, com razão, falariam da injustiça. No livro Sagrado está que “os últimos serão os primeiros”, mas é preciso entender o seu sentido. Assim como o da parábola do filho pródigo. Algum professor mistura as notas dos melhores alunos com as dos piores e tira a média ou faz um sorteio? Já viu o supermercado Extra propor que comprem também no armazem do Zezinho? Sabe quantos exemplos do tipo dá para citar???

Uma proposta para revolucionar o futebol brasileiro

por: José Maria de Aquino

    Fui bom lateral pela esquerda, embora destro, do Paula Souza, com o Agope, o Zefo, o Geraldo, turma da vila Santa Clara, na Luz. Naqueles tempos, existiam pontas que jogavam bem abertos. Sendo destro, os empurrava mais para a linha lateral. Tive brilho também como armador, ao lado do Zefo.
Fui técnico do esquadrão da revista Placar, demitido sumariamente quando escalei o time com apenas 10 – esperando a chegada do Semedo, zagueiro titular – deixando Manoel Motta no banco, por estar fora de forma física. Atuei como juiz (ainda não chamavam de árbitro, uma grande bobagem) num jogo Jornal da Tarde x Estadão, de grande rivalidade, no sítio do Pacce, e me tomaram o apito quando marquei um pênalti a favor do Estadão. Eu trabalhava no JT.
Como repórter, faço perguntas mas também observo muito. Não escrevo apenas o que me falam.
Como comentarista, observo, anoto, analiso e só depois coloco o que está acontecendo, como estou vendo o jogo. Não consigo dizer que o técnico escalou o time errado, que o está orientando de forma equivocada. Menos ainda consigo dizer como devia fazer – escalar esse e não aquele jogador, posicionar o time desta ou daquela forma em campo. Aliás, jamais aceitei escalar a seleção do campeonato no final da temporada. Como fazer, se não assisto todos os jogos, ou mesmo a metade deles?
Vejo dezenas de ex-jogadores comentando essa avalanche de partidas, e também jornalista que, como dizem os “ex-craques”, “não sabem nada, porque nunca calçaram chuteiras”. Uma grande bobagem. Milhares calçam chuteiras pretas ou coloridas, assinam belos contratos, enganam anos seguidos e se aposentam sem terem tido a menor noção do que seja “um time”.
Alguns enxergam o que está acontecendo e sabem comunicar. Poucos. Edmundo, por exemplo. Outros enxergam, mas não sabem passar o que estão vendo. E muitos outros são cegos de tudo. E é pura verdade que tem os “que nunca calçaram…” e que sabem o que falam.
Estes dias tenho analisado a falta de renovação entre os técnicos. De como parecem estar superados os mais famosos, os que ganham até 600 mil por mês e ainda querem estabilidade. E pensei: por que será que os analistas que enxergam tudo, que escalam da cabine, que , comentando, mudam facilmente a forma do time atuar, que chamam os “professores” de bestiais quando vencem e de besta quando perdem, não promovem essa renovação? Não vão para a beira do campo? Ganhariam muito mais…

TOPADAS ENSINAM ANDAR, MAS NÃO APRENDEM. POR QUE SERÁ?  

por: José Maria de Aquino 

Conhecido ditado diz que “topadas ensinam andar”. Fácil de ser entendido. É fechar os olhos para lembrar como andamos mais rapidinho quando metemos o bico do pé num buraco – a cidade tem mil deles por metro quadrado à nossa espera.
No futebol brasileiro, as topadas acontecem quando um clube se vê de tal forma atolado em dívidas e sem crédito na praça, com os bancos dizendo não e a Poderosa informando que já sacaram pelos dois ou três Brasileiros futuros.
Quando o cinto aperta até o último furo, a saída é olhar para a base. Dar chance para os jogadores revelados nos terrões ou nos modernos CTs, tão decantados, tão onerosos e quase nada produtivos.
Entra o “se falta grana, vai tu mesmo”. Ou, bem melhor, “se não tem medalhão, joguemos as pratas da casa às feras”.
É o caso atual do Corinthians, que tem sido do Santos através dos tempos, que no São Paulo falam muito mas nada acontece. Como no Flamengo, no Vasco…
Atolado em dívidas, que nem são assim tão novas, mas que explodiram com as mudanças de direção e o acumulo de delações, o Corinthians enrolou o quanto pode, mas acabou dizendo não às milionárias pedidas do atacante Guerreiro para renovar contrato. Um direito de quem fazia a proposta e apresentava seus gols como importante argumento. E a obrigação da diretoria de, mesmo com o risco de sofrer a ira da torcida, dizer não. Já não havia onde ir buscar 18 milhões por três anos de contrato.
No embalo da saída de Guerreiro, deixaram, de forma inteligente, que Sheik fizesse as malas e partisse.
Sem saída, o técnico Tite foi obrigado a encontrar um caminho, dando oportunidade ao jovem Luciano, prata da casa, que, sem o cinto apertado, mofaria no banco ou seria vendido às pressas como tantos outros. Virou artilheiro, o time  lidera o campeonato, e a torcida já não chora a saída de Guerrero, que não marca há cinco jogos no Flamengo  É Paolo mas não é santo, e não faz milagres.
Falando em Flamengo, o mais querido é o exemplo carioca dessa grande verdade. Enquanto abriu os portões da Gávea para garotos – e isso vem de longas datas, com Evaristo, Henrique, Dida, Babá, Carlinhos, Andrade, Leandro, Adílio, Zico e tantos outros -, foi um time vencedor. Quando decidiu comprar jogadores de categoria duvidosa, sem que a conta fechasse, passou a mero participante. O Vasco segue seus passos. E por lá costuma se salvar o Fluminense, com a chocadeira de Xerém. Mas podia ser bem melhor.
Por aqui, o São Paulo, de uns tempos para cá, piorando quando se escondeu em Cotia, especializou-se em “vender pintinhos de um dia” para comprar galos cegos. E o Santos é o retrato perfeito das “topadas que ensinam andar”. Vem de antes de Pelé, com os irmãos Álvaro e Ramiro, passa por Clodoaldo, Pita, Juari, Robinho até chegar em Neymar e logo se falará de Gabriel, Lucas Lima, Geovânio…
A desgraça, é que assim que o dedão começa a melhorar, logo voltam a dar topadas Por que será?

CERTOS JOGADORES DEVIAM SER ETERNOS

por: José Maria de Aquino

O médico Joaquim Grava, grande ortopedista, vai examinar os joelhos do craque Rivaldo, com a esperança de diminuir os problemas que pentacampeão mundial sofre e, assim, prorrogar por mais uns tempos sua fabulosa carreira. Rivaldo tem 43 anos de idade, despediu-se dos campos na sexta-feira, dia 15, marcando o gol no empate (1 a 1) do seu time, Mogi Mirim, contra a Luverdense, pela série B do Brasileirão.
O futebol brasileiro está tão carente de grandes jogadores, craques de verdade, que nos obriga a desejar que um dos que através dos tempos merece assim ser chamado, prorrogue sua vida de atleta, deixando a aposentadoria para mais tarde – mesmo tendo chegado aos 43.
A vida é perfeita. O mundo é perfeito. Nós é que, às vezes, pensando apenas nos nossos próprios interesses – no caso o de amar o futebol bem jogado – fazemos exigências acima do que é normal, o que os olhos tortos enxergam como erro da natureza.  É que, na vida intelectual, quanto mais se vive, mais se aprende e tem a ensinar – o que, diga-se logo, por aqui não é apreciado, ao contrário do que ocorre em  outros países, por isso mais adiantados. Já com os atletas, que precisam não apenas do cérebro, mas também do físico, acontece diferente. Não adianta a cabeça pensar, porque as pernas já não a obedecem.
Rivaldo é um privilegiado, abençoado pelo Deus da bola, podendo, por estranho que possa parecer, bater no peito e dizer que tem esse reconhecimento, mesmo não sendo um marqueteiro. Não tendo usado, providenciado, solicitado ou pago por uma divulgação mais marcante. Para aparecer em manchetes garrafais e mais constantes, merecendo-as ou não. Se bem me faço entender. Rivaldo  joga no time dos que o elogio é maior quando se pergunta por que não, do que quando se indaga por que foi.
Há bons anos, quando trabalhava na Poderosa e pretendi comemorar mais um aniversário de Pelé, imaginei transformar em gols aqueles dois lances marcantes da Copa de 1970, no México. O do chute do meio do campo, pegando todos de surpresa – eu mesmo resmunguei, acho até que o xinguei na hora – mais, ainda, o goleiro Viktor, da Checoslováquia. E o da finta de corpo no Mazurkiewicz, contra o Uruguai. Lembram-se? As duas bolas não entraram e pedi a um editor do Rio para que, usando a nova tecnologia, as fizesse ir para as redes. As edições, muito mal feitas, com cortes e não com o uso da tecnologia, ficaram uma grande porcaria.
E eu, depois, agradeci que assim fosse. É que as bolas não tendo entrado, revelam melhor a genialidade de Pelé. Porque os lances sempre são repetidos, para destacar sua visão, o quanto enxergava mais que todos os outros juntos. Caso contrário, seriam “apenas” mais dois gols dele.
É isso, muitas vezes um lance aparentemente simples, sem tocar na bola, apenas criando chance para um companheiro, é muito mais importante e decisivo do que o simples toque para as redes. Para mim, um lance que nesse sentido coloco ao lado daqueles dois de Pelé, é o da abertura de pernas feita por Rivaldo, contra a Alemanha, na decisão do título de 2002, que deixou, com afeto e carinho, a bola para Ronaldo marcar. Revelou inteligência e absoluta falta de egoismo, tão raro no futebol e na vida.

A GLOBO (E AS OUTRAS EMISSORAS) ESTÁ CERTA OU ERRADA?

por: José Maria de Aquino

São muitos os truques para se tentar colocar o ovo de pé. Desde quando a memória alcança. Muitos usados de forma direta, simples. Outros mais criativos. A finalidade sempre a mesma: dar visibilidade a uma marca, um produto. Lá atrás, bem atrás, a Lacta comprou a valiosa marca Diamante Negro, pagando 80 mil reis (é reis mesmo) ao, assim apelidado por suas qualidades no futebol, Leônidas da Silva. Muito tempo depois, achando que havia vendido por pouco, Leônidas tentou recuperar a marca ou receber mais por ela. Sem sucesso.
Tempos depois, coincidindo com  a chegada da televisão por aqui, jogadores famosos faziam propaganda de produtos como Gilletti, lâmina de barbear, recebendo em troca pacotinhos do produto. Pelé, já rei do futebol, posava usando ternos da Ducal. Quanto faturava? Não sei. Sei que em 66, Pepe Gordo, seu procurador, negociou a gravação do casamento de Pelé com a Tv.Excélsior. Em setembro de 70, depois do tri no México, Pelé assinou seu primeiro grande contrato de publicidade, dando nome ao Café Pelé, faturando, até hoje, uma porcentagem sobre a venda.
Mais pra cá, quem não se lembra de jogadores aparecendo nas Mesas Redondas de televisão com bonezinhos enterrados na cabeça, quase até o pescoço, e estufando o peito para mostrar a marca de camisas? O que ganhavam? Provavelmente algumas camisas a mais, para os irmãos e amigos. O que as emissoras lucravam? Nada além das presenças ilustres.
​  Já não era o “toma lá, dá cá”, mas passava. Era, digamos, uma mão lavando outra. Logo depois, os bonezinhos e as camisas já não eram de uma pequena fábrica querendo sobreviver. Eram das grandes donas do mercado internacional. E com eles vieram os tênis, as chuteiras, agasalhos, que presenteavam fotógrafos, cinegrafistas, produtores…Quanto custavam para os gigantes? Nem o custo de uma mariola. Mas os segundos da marca exibidos nas televisões, esses correspondiam milhões. Era uma teta.
Já não era uma mão dupla, surgia uma terceira via – a televisão. Para cortar o exagero, uma orientação:”enquadrem  os jogadores cortando os bonezinhos ( cada vez mais enterrados até o pescoço). Depois, veio a marca na gola da camisa, nos painéis…hoje mostrados, graças a um acordo com os clubes.
Quem já esqueceu de Romário, contratado pela cervejaria, levantando o indicador para significar “a número um”? Que não tinha contrato assinado com a Globo e que procurava botar o ovo de pé, inundando as arquibancadas dos estádios onde eram disputdas as eliminatórias para a Copa de 90, com aquela mão gigante. Gastando, naturalmente, 2% do que lhe custariam as cotas para anunciantes. A ordem foi cortar da transmissão as placas colocadas junto ao alambrado do estádio de Florianópolis – o que valia cortar, também, as pernas dos jogadores. Foi um desastre, lembra-se? Que outra decisão tomar? Diga lá…
​  ((depois tem mais ovos sendo colocados de pé)))

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